Acordo entre Fiocruz, Merck e Nortec Química garante fabricação nacional da cladribina oral. O medicamento chegará pelo SUS, beneficiando pacientes com esclerose múltipla em todo o país.
Uma nova etapa na luta contra a esclerose múltipla se inicia no Brasil com a produção local de um medicamento inovador. A cladribina oral, comercializada sob o nome Mavenclad, será fabricada no país, ampliando o acesso aos pacientes através do Sistema Único de Saúde (SUS) e reduzindo a dependência de importações.
O acordo firmado entre a Fiocruz, a Merck e a Nortec Química marca um avanço significativo na indústria farmacêutica nacional. A esclerose múltipla, uma condição sem cura que afeta principalmente jovens entre 20 e 40 anos, tem uma prevalência média de 15 casos a cada 100 mil habitantes. Estima-se que cerca de 40 mil brasileiros convivem com essa doença crônica e degenerativa.
A médica Bianca Oliveira explica que a esclerose múltipla é mais comum entre mulheres e afeta áreas vulneráveis do sistema nervoso, como o cérebro e a medula espinhal.
Os sintomas da esclerose múltipla variam entre os pacientes, incluindo visão embaçada, perda de força muscular e dificuldades motoras. Um aspecto frequentemente ignorado é a fadiga intensa, que pode ser comparada ao cansaço de uma maratona.
O Mavenclad se destaca por sua forma de administração, que contrasta com muitos tratamentos atuais. Enquanto outros medicamentos exigem aplicações frequentes ou uso diário de comprimidos, a nova terapia é administrada em apenas dez dias ao longo de dois anos. No primeiro ano, o paciente toma os comprimidos durante cinco dias em dois meses consecutivos. Esse esquema se repete no segundo ano, e muitos pacientes podem ficar anos sem necessidade de novos medicamentos, sempre sob supervisão médica.
Além de ser o único tratamento para esclerose múltipla listado como essencial pela OMS, estudos realizados demonstraram que pacientes que utilizaram o Mavenclad apresentaram redução de lesões neuronais após dois anos de tratamento. Em observações de longo prazo, 90% de 435 pacientes não precisaram usar cadeira de rodas, e 81,2% mantiveram a capacidade de caminhar sem apoio.
A Paraíba foi o primeiro estado a disponibilizar o medicamento na rede pública, beneficiando pacientes como a médica Maria Isabel Dantas, que antes precisou realizar visitas frequentes ao hospital para tratamento intravenoso. Dantas comentou sobre a mudança na sua rotina: “Agora, eu só vou tomar a medicação cinco dias neste mês; mês que vem, vou tomar mais cinco dias, e depois só ano que vem.”
Outro aspecto positivo do Mavenclad é a possibilidade de gravidez para mulheres que forem tratadas. Bianca Oliveira ressalta que, após seis meses do término do tratamento, as pacientes poderão engravidar e amamentar sem complicações associadas ao uso do medicamento.
Para muitos pacientes, a maior mudança será psicológica, uma vez que a possibilidade de passar anos sem novas medicações altera a percepção sobre a doença. Apesar de a esclerose múltipla não impedir atividades diárias, a dependência de tratamentos constantes pode ser angustiante. O Mavenclad promete oferecer uma nova perspectiva, permitindo que os pacientes tenham mais autonomia em suas vidas. Além do tratamento, manter uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos é fundamental para o controle dos sintomas e a qualidade de vida.
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