Fim dos orelhões começa em janeiro; Brasil ainda mantém 38 mil unidades, diz Anatel

William Kevim
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Brasília – A retirada definitiva dos telefones públicos no Brasil terá início em janeiro de 2026, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O órgão contabiliza 38 mil orelhões espalhados pelo território nacional, que deverão desaparecer gradualmente das calçadas após o encerramento, no ano passado, das concessões de telefonia fixa mantidas por Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica.

O que muda a partir de 2026

Com o fim dos contratos, as cinco operadoras não têm mais obrigação legal de cuidar da infraestrutura dos aparelhos. A remoção imediata abrangerá, principalmente, carcaças vazias e equipamentos já desligados. Cidades sem cobertura de rede móvel continuarão com o serviço até, no máximo, 2028. Depois desse prazo, mesmo esses municípios deverão migrar totalmente para outros meios de comunicação.

Números da desativação

Dados atualizados da Anatel indicam que pouco mais de 33 mil telefones públicos ainda funcionam, enquanto aproximadamente 4 mil aguardam manutenção. Em 2020, o Brasil possuía cerca de 202 mil unidades. A queda expressiva é atribuída à popularização dos celulares e de serviços de voz pela internet.

Compensação: foco em banda larga e móvel

Para compensar a desativação, a Anatel determinou que os recursos antes destinados à manutenção dos orelhões sejam redirecionados para a expansão de redes de banda larga e telefonia móvel, consideradas prioritárias no cenário atual de conectividade.

De símbolo nacional a peça de museu

Instalado pela primeira vez em 1971, o orelhão foi criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira e batizado inicialmente de Chu I e Tulipa. O design oval, pensado para reduzir ruídos externos e melhorar a acústica, ganhou as ruas de outros países, como Peru, Angola, Moçambique e China, tornando-se referência em equipamentos públicos de comunicação. Durante décadas, o aparelho permitiu chamadas urgentes, serviu como ponto de encontro e marcou gerações que aguardavam o característico aviso de “chamada a cobrar” até cair a ficha – literalmente.

Presença recente na cultura pop

Mesmo em declínio, o telefone público voltou a chamar atenção ao estampar o cartaz de “O Agente Secreto”, longa protagonizado por Wagner Moura que venceu o Globo de Ouro e representa o Brasil na disputa pelo Oscar de 2026. Na imagem, o personagem Marcelo aparece dentro da clássica cabine colorida, reforçando o valor nostálgico do equipamento.

Embora ainda existam municípios do interior de São Paulo com mais de 550 unidades ativas, o calendário definido pela Anatel confirma: a era dos orelhões está perto do fim. A partir de janeiro, resta às cidades sem sinal de celular manter os aparelhos somente até que a cobertura móvel seja garantida, prazo que se encerra em 2028.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.