Fim da jornada 6×1 gera divisão entre trabalhadores e empresários no Brasil

Claudio Vasconcelos
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A recente aprovação do fim da jornada 6×1 pela Câmara dos Deputados, ocorrida na noite de quarta-feira, 27 de maio de 2026, trouxe reações divergentes entre as entidades de trabalhadores e empresários. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) celebrou a decisão como uma “vitória histórica da classe trabalhadora”, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticou a proposta, chamando-a de “inadequada e inoportuna”.

De acordo com a CUT, essa mudança representa a concretização de uma das principais reivindicações do movimento sindical nas últimas décadas. A entidade atribui o sucesso da proposta à mobilização das centrais sindicais, à pressão exercida por movimentos sociais e à negociação direta com os parlamentares. Em um comunicado, a CUT convocou os trabalhadores a manterem a mobilização para que o Senado siga com a tramitação da matéria.

Por outro lado, a CNI expressou preocupação com a redução da jornada sem uma transição adequada e sem ganhos de produtividade, afirmando que isso pode elevar os custos e pressionar os preços, impactando negativamente o emprego e a economia. A entidade argumentou que mudanças desse tipo devem ser discutidas em negociações coletivas, em vez de serem impostas como regra constitucional.

“Uma eventual redução da jornada de trabalho por imposição legal, sem transição adequada e sem ganho equivalente de produtividade, tende a elevar custos e pressionar preços de produtos e serviços”, afirmou a CNI.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também se manifestou contra a aprovação, alegando que a votação foi influenciada por interesses eleitorais e representou um retrocesso, ao anular décadas de acordos trabalhistas. A entidade defende que o Congresso autorizou o rompimento abrupto de contratos vigentes, o que fere a segurança jurídica.

Em contrapartida, outras centrais sindicais, como a Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), demonstraram apoio ao fim da escala 6×1. Em nota conjunta, elas classificaram a proposta como uma conquista histórica fruto de um diálogo construtivo com o Congresso, destacando o apoio do governo federal sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vania Marques, também elogiou a aprovação da PEC, enfatizando que ela representa um reconhecimento de que “ninguém deve viver apenas para trabalhar”. Ela defendeu que a redução da jornada, sem perdas salariais, é uma forma de respeitar quem sustenta o país.

No setor agropecuário, a reação foi negativa. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) criticou a proposta, prevendo um custo adicional de R$ 4,1 bilhões para o agronegócio paranaense, o que poderia impactar toda a cadeia produtiva. A entidade alertou que a aprovação da mudança de jornada pode ter consequências amplas, afetando não apenas os produtores, mas também os consumidores.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.