O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu os irmãos Ivo e André Herzog como anistiados políticos. A decisão, publicada na edição de segunda-feira (12) do Diário Oficial da União, concede a cada um deles uma indenização de R$ 100 mil e traz um pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro.
A medida está formalizada na Portaria nº 24, de 7 de janeiro de 2026, assinada pela ministra Macaé Evaristo. O ato estende o processo de reparação à família do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975 durante a ditadura militar.
Reparação ampliada
Em nota, a pasta lembrou que, em 2024, a viúva do jornalista, Clarice Herzog, também passou a ter status de anistiada política. “A decisão amplia o processo de reparação já reconhecido pelo Estado em relação à família Herzog”, informou o ministério.
Traumas intergeracionais
Relatora do caso na Comissão de Anistia, a conselheira Gabriela de Sá afirmou que o reconhecimento aos filhos de Vladimir Herzog representa “uma reparação histórica” pelo impacto das violações sofridas durante o regime militar.
“Quando se impõem restrições à convivência familiar, estamos diante de uma medida de exceção que atinge diretamente os direitos de filhos e filhas de perseguidos políticos”, explicou. Segundo ela, os documentos do processo mostram que Ivo e André foram afetados desde a infância pelas controvérsias em torno das circunstâncias do assassinato do pai.
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Imagem: Scarlett Rocha/IVH
Gabriela de Sá destacou ainda a exposição pública da imagem de Vladimir Herzog morto na cela do DOI-CODI, em São Paulo, como exemplo de violação que atingiu diretamente os irmãos.
Com o reconhecimento, Ivo e André Herzog passam a ter direito às reparações previstas na Lei da Anistia, incluindo a indenização financeira e os registros oficiais que confirmam a condição de perseguidos políticos.
Fonte: Agência Brasil
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