FGC tem R$ 1,83 bi parados à espera de clientes do grupo Master

Robson Alves
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Bilhões esquecidos perdem valor a cada dia. O FGC alerta que recursos sem correção inflacionária aguardam resgate pelo aplicativo oficial do fundo.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) possui atualmente R$ 1,83 bilhão disponíveis para reembolso a investidores e correntistas de instituições associadas ao grupo Master que ainda não solicitaram o reembolso. Em um balanço divulgado nesta terça-feira (14), o FGC informou que esses recursos podem ser resgatados através do aplicativo oficial do fundo.

É importante destacar que o valor que permanece no fundo não recebe correção pela inflação desde a liquidação dos bancos. Isso significa que, quanto mais tempo os beneficiários demorarem para requisitar o pagamento, menor será o poder de compra do valor recebido.

Para realizar o resgate, as pessoas físicas devem acessar o aplicativo do FGC. O fundo recomenda que os beneficiários mantenham as notificações ativadas, pois o sistema poderá solicitar informações adicionais para concluir o processo de pagamento.

Até o momento, o maior volume de pagamentos já foi realizado, mas ainda existem recursos disponíveis para milhares de beneficiários. Nos bancos Master, Master de Investimento e Letsbank, o FGC já desembolsou R$ 40,03 bilhões, o que representa 98,54% do total previsto. Ao todo, ainda restam cerca de R$ 590 milhões a serem retirados.

Mais de 718 mil credores já receberam os valores, correspondendo a 93,72% do público estimado. No caso do banco Pleno, anteriormente conhecido como Voiter, foram pagos R$ 4,5 bilhões, o que equivale a 93,93% do total esperado, com cerca de R$ 290 milhões ainda disponíveis para resgate por aproximadamente 135 mil beneficiários.

No Will Bank, o FGC desembolsou R$ 5,75 bilhões, ou 94,69% do montante previsto, e ainda há cerca de R$ 950 milhões esperando pelos clientes. Mais de 276 mil beneficiários já conseguiram retirar os recursos.

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada e sem fins lucrativos, criada para proteger os clientes de instituições financeiras em situações de intervenção ou liquidação. Quando um banco entra em falência, o FGC reembolsa depósitos e investimentos até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro. Existe um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos, com o objetivo de aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.

A garantia do FGC cobre diversos produtos financeiros, incluindo conta-corrente, conta-poupança, CDB, RDB, Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). No entanto, investimentos como ações, fundos de investimento e debêntures não estão protegidos pelo FGC.

Além disso, o FGC também apresentou um panorama do sistema financeiro brasileiro. Em abril, os depósitos e investimentos que são elegíveis à garantia totalizavam R$ 5,58 trilhões. Considerando o limite máximo de cobertura por cliente, o valor efetivamente protegido era de R$ 2,684 trilhões. Ao final de 2025, o patrimônio líquido do fundo era de R$ 123,2 bilhões, apresentando uma queda de 12,25% em relação ao ano anterior, refletindo os pagamentos realizados após a liquidação das instituições financeiras do grupo Master.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.