Executivos de OpenAI e Anthropic evitam gesto simbólico em cúpula de IA na Índia

William Kevim
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Sam Altman, diretor-presidente da OpenAI, e Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, recusaram-se a juntar as mãos para a foto oficial da Cúpula de Impacto da IA, nesta quinta-feira (19), em Nova Délhi, capital da Índia. O momento ocorreu diante das câmeras ao lado de Sundar Pichai, presidente-executivo do Google, e do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e rapidamente evidenciou a rivalidade que opõe as duas startups de inteligência artificial.

A OpenAI mantém o ChatGPT, um dos assistentes de IA mais populares do mundo. Já a Anthropic desenvolve o Claude, sistema que disputa diretamente o mesmo público. A recusa ao gesto protocolar foi interpretada por participantes como um reflexo da competição acirrada pelo domínio de tecnologias generativas.

Origem da disputa

O distanciamento entre Altman e Amodei remonta a 2021, quando o segundo deixou a OpenAI ao lado de outros executivos para criar a Anthropic, defendendo um enfoque mais rígido em segurança e ética, segundo a agência Associated Press. Meses depois, a OpenAI lançou o ChatGPT, expondo o potencial comercial de grandes modelos de linguagem e abrindo uma corrida que envolve investimentos bilionários.

Grandes aliados em nuvem

Embora travem duelo direto, ambas as empresas dependem de parceiros poderosos. A Microsoft detém participação relevante na OpenAI e fornece infraestrutura de nuvem para seus serviços. A Anthropic, por sua vez, firmou acordo com a Amazon, que se tornou principal provedora de computação e armazenamento para o Claude.

O Google, presente na imagem oficial, compõe o tabuleiro competitivo com o modelo Gemini, impulsionado pelos centros de dados da companhia. A pluralidade de alianças reforça que a disputa extrapola a técnica e alcança modelos de negócios, publicidade e licenciamento corporativo.

Troca de farpas no Super Bowl

A rivalidade ganhou novos capítulos durante o Super Bowl, em fevereiro. Em intervalo publicitário, a Anthropic veiculou campanha que ironizava “chatbots manipuladores” que usam vínculos emocionais para vender produtos. O anúncio se encerrava com a frase em inglês: “Ads are coming to AI. But not to Claude” (“Anúncios estão chegando à IA. Mas não ao Claude”), alusão direta à decisão da OpenAI de inserir publicidade em seu serviço.

Logo após a exibição, Altman classificou a peça como “engraçada”, porém desonesta, e provocou a concorrente dizendo que mais texanos usam o ChatGPT de forma gratuita do que o total de norte-americanos que acessam o Claude. Greg Brockman, presidente da OpenAI, também questionou, em rede social, se a Anthropic de fato jamais venderia dados ou atenção de usuários a anunciantes. Amodei preferiu não responder publicamente.

Cúpula quer ampliar debate no Sul Global

Realizado ao longo de cinco dias, o encontro em Nova Délhi reúne chefes de Estado, autoridades e executivos do setor para discutir impactos econômicos, regulatórios e éticos da inteligência artificial. De acordo com os organizadores, trata-se da primeira cúpula dedicada ao tema no Sul Global, voltada a analisar tecnologias desenvolvidas predominantemente em países ricos.

Entre discussões sobre segurança e regulação, o episódio do aperto de mãos ausente ajudou a ilustrar como a competição comercial e ideológica entre as empresas continua influenciando o rumo da inovação em IA, mesmo em ambientes destinados ao diálogo multilateral.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.