Ex-diretora do WhatsApp no Brasil lança ONG para receber denúncias contra big techs

William Kevim
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A ex-diretora de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, Daniela da Silva, e a jornalista Tatiana Dias criaram a ONG CTRL+Z, destinada a receber denúncias contra grandes empresas de tecnologia. A iniciativa oferece registro gratuito de casos envolvendo plataformas como Instagram, Facebook, Google e X e disponibiliza, sem custo, suporte jurídico por meio de uma equipe de advogados parceira.

O que é e como funciona

A CTRL+Z está em fase de testes, por isso as responsáveis informam que o atendimento pode demorar. Usuários que sofreram ações como suspensão de conta sem aviso, perfis falsos, vazamento de dados, bloqueio temporário injustificado ou perda de acesso — por exemplo, em casos de conta invadida — podem preencher um formulário no site da ONG: https://ctrlz.org.br/add/.

No formulário, a pessoa descreve a plataforma afetada, explica o ocorrido, indica se houve contato com a empresa e se obteve resposta. Há opção para anexar provas e fornecer dados pessoais, como nome, cidade e e-mail. Ao final, o denunciante pode autorizar o contato de um advogado para esclarecimentos e auxílio, além de decidir se permite ou não a divulgação pública do caso.

Segurança e denúncias internas

As fundadoras explicam que a ONG optou por não usar ferramentas de grandes empresas, como Google Forms ou Microsoft Forms, para evitar que as plataformas tenham acesso ao conteúdo das denúncias. O sistema adotado inclui criptografia de ponta a ponta, de modo que apenas remetente e destinatário conseguem acessar as informações enviadas.

A CTRL+Z também criou o programa #VazaBigTech, voltado a funcionários das big techs que queiram relatar práticas com interesse público. Embora seja possível acessar a plataforma por navegadores convencionais, as fundadoras destacam que o nível máximo de anonimato e segurança é obtido com o uso do navegador Tor, que dificulta o rastreamento. Segundo Tatiana Dias, a ferramenta permite o envio de denúncias anônimas e garante que, nesses casos, nem mesmo a ONG tem como identificar a pessoa.

Contexto e origem

Daniela da Silva deixou a Meta no início de 2025, após exercer o cargo de diretora de políticas públicas do WhatsApp no Brasil entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025. Sua saída ocorreu depois do anúncio, feito em vídeo por Mark Zuckerberg, do fim do programa de checagem de fatos nos Estados Unidos e de uma mudança retórica da empresa em relação a governos.

Em publicação no LinkedIn, Daniela manifestou discordância com a nova postura da Meta e anunciou a demissão. Ela relatou que a decisão de deixar a empresa não foi planejada e que não tinha um plano imediato após sair. A criação da ONG foi motivada, segundo ela, pela percepção de que existe descontentamento dentro das próprias big techs e pela necessidade de mecanismos que responsabilizem essas empresas.

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.