Ex-chefe do Cartel de Jalisco, “El Mencho” morre em ação militar que mobilizou forças especiais no México

Robson Alves
4 Min Leitura

São Paulo, 15h40 (Brasília UTC-3) – O líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, foi localizado e morto durante uma operação conjunta das forças armadas mexicanas no domingo (22). A ação, realizada no estado de Jalisco, contou com informações de inteligência do México e dos Estados Unidos e pôs fim à caçada ao narcotraficante, incluído desde 2016 entre os mais procurados pela agência antidrogas norte-americana.

A ofensiva começou em 20 de fevereiro, quando militares mexicanos identificaram um colaborador de confiança de uma das parceiras amorosas de El Mencho. Segundo o secretário de Defesa Nacional, general Ricardo Trevilla, o homem conduziu a mulher a um imóvel na cidade de Tapalpa, onde o traficante se encontrava com seu círculo pessoal.

Desdobramento da operação

Na madrugada de domingo, tropas de forças especiais do Exército, da Aeronáutica e da Guarda Nacional cercaram o local com apoio de seis helicópteros e aeronaves modelo Texan. Os seguranças do cartel reagiram, permitindo que o chefe criminoso se embrenhasse numa área de mata rala próxima. Sete fuzis, granadas e dois lançadores de foguetes foram apreendidos.

Instalado um perímetro, militares localizaram o fugitivo poucas horas depois. Novo tiroteio feriu El Mencho e dois guarda-costas; um helicóptero oficial teve de fazer pouso de emergência após ser atingido. O trio, além de um oficial ferido, foi removido de helicóptero para um hospital em Jalisco, mas o narcotraficante não resistiu aos ferimentos e morreu durante o transporte.

Balanço dos confrontos

De acordo com Trevilla, 15 suspeitos ligados ao CJNG foram mortos e três militares ficaram feridos ao longo das duas trocas de tiros. A morte de El Mencho desencadeou retaliações: 252 bloqueios em rodovias de 20 dos 31 estados, veículos incendiados, ataques a prédios públicos e emboscadas que deixaram 27 agentes do Estado e 30 suspeitos mortos. O cartel teria pago 20 mil pesos por cada militar assassinado.

Reação oficial e cooperação com os EUA

Na segunda-feira (23), a presidente Cláudia Sheinbaum declarou que o país amanheceu “em paz”, sem novos distúrbios. Ela ressaltou que tropas estrangeiras não participaram da ação, limitada à troca de informações com Washington. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, elogiou a operação e lembrou que os EUA classificam o CJNG como organização terrorista. Antes da captura, Washington oferecia recompensa de US$ 15 milhões; o governo mexicano, 30 milhões de pesos.

Impacto em Jalisco

Moradores de Guadalajara relataram ruas vazias e comércio fechado no domingo. O jornalista Enrique Blanc comparou o cenário ao período da pandemia. Na avaliação da advogada Gabriela de Luca, o CJNG dispõe de forte poder bélico e logística internacional, disputando rotas com o Cartel de Sinaloa. Para ela, a morte de El Mencho pode gerar instabilidade de curto prazo, disputas internas e eventual aumento da violência até que a sucessão no cartel seja definida.

Desde a formação na década de 2010, o Cartel Jalisco Nueva Generación tornou-se uma das organizações criminais mais influentes do país, com destaque para a produção e exportação de drogas sintéticas, entre elas o fentanil – substância considerada prioridade de combate pelas autoridades norte-americanas.





O governo mexicano afirmou que continuará com operações de segurança nas áreas afetadas para evitar novos atos de retaliação e garantir o restabelecimento das atividades econômicas nas principais cidades de Jalisco.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.