Project Maven é a ferramenta de inteligência artificial que os Estados Unidos têm empregado na campanha contra o Irã para integrar sensores e imagens e encurtar o tempo entre identificação de um alvo e sua neutralização.
O sistema, iniciado em 2017 para ajudar analistas militares a lidar com o grande volume de imagens produzidas por drones, automatiza tarefas que antes eram realizadas quadro a quadro por operadores humanos. Na prática, a plataforma consolida dados de sensores e imagens de satélite em uma única interface, reduzindo o trabalho manual e o risco de erro associado à revisão demorada de imagens.
Como funciona
Em uma demonstração realizada pelo Departamento de Defesa em março, o funcionamento do Project Maven foi exibido em etapas: integração das fontes de dados em uma tela única; filtragem e organização das informações pelo operador; transformação de detecções em alvos formais; classificação dos alvos por tipo; sugestão de cursos de ação, incluindo o recurso militar mais adequado; escolha humana de uma opção e início da operação; e execução integrada do ataque dentro do mesmo sistema. Segundo Camaeron Stanley, chefe de IA do departamento, procedimentos que antes exigiam vários programas e horas de trabalho humano agora são concluídos em minutos.
Fornecedores e controvérsias
O software que alimenta o Project Maven atualmente é fornecido pela Palantir, empresa americana de tecnologia conhecida por plataformas de análise de dados usadas por governos e agências de segurança. A Palantir assumiu o papel depois que o Google, parceiro inicial do projeto em 2017, se retirou em 2018 em meio a protestos internos de funcionários — mais de 3 mil colaboradores assinaram uma carta aberta contra a participação da empresa, e alguns engenheiros chegaram a pedir demissão.
Após a saída do Google, a companhia passou a adotar uma política pública que excluía engajamento em sistemas de armamento. Entretanto, em fevereiro do ano passado a empresa alterou sua política de inteligência artificial e removeu uma cláusula que proibia o uso da tecnologia para armas e vigilância, conforme relatado.
Resultados no campo de batalha
O Pentágono e a Palantir não comentaram publicamente o desempenho do Project Maven na campanha contra o Irã. Reportagens da AFP e do The New York Times apontam, no entanto, que o ritmo dos ataques americanos — mais de mil alvos atingidos nas primeiras 24 horas da Operação Fúria Épica, iniciada em 28 de fevereiro — indica que o sistema provavelmente acelerou processos de seleção e engajamento de alvos.
Relatos anteriores indicam que o Maven teve seu primeiro teste operacional na Guerra da Ucrânia, segundo o New York Times em 2024, quando enfrentou dificuldades para aplicar tecnologia avançada em um teatro ainda dominado por táticas tradicionais como trincheiras e artilharia. Mesmo assim, autoridades consultadas pelo jornal afirmaram que a plataforma facilitou a visualização de movimentos e comunicações russas.
O uso do Project Maven revela uma integração cada vez maior de ferramentas de inteligência artificial em operações militares, com impacto direto nos prazos entre detecção e ação.
Com informações de G1
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