Los Angeles (EUA) – A Motion Picture Association (MPA), entidade que reúne Disney, Universal, Warner Bros., Netflix e outros grandes estúdios, denunciou publicamente a plataforma chinesa de geração de vídeos Seedance por “uso não autorizado de obras protegidas por direitos autorais nos Estados Unidos em larga escala”. A crítica foi formalizada em comunicado divulgado na madrugada de sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, assinado pelo presidente da MPA, Charles H. Rivkin.
Segundo o texto, o software Seedance 2.0 – desenvolvido pela ByteDance, mesma controladora do TikTok – produziu e distribuiu imagens hiper-realistas que reproduzem atores e personagens sem autorização. O alerta ganhou força após a circulação, a partir de terça-feira, 10 de fevereiro, de um clipe que coloca Tom Cruise e Brad Pitt em uma luta sobre a cobertura de um edifício. A sequência, gerada integralmente por inteligência artificial, viralizou em redes sociais e fóruns de entretenimento.
Rivkin afirma que, “em um único dia, o software chinês de IA Seedance 2.0 incorreu em uso não autorizado de obras americanas protegidas por direitos autorais em larga escala”. No comunicado, ele acrescenta que a ByteDance “despreza direitos autorais bem estabelecidos que protegem os criadores e sustentam milhões de empregos nos Estados Unidos” ao lançar um serviço “sem garantias substanciais contra a falsificação”.
Versão de teste já gera conteúdo realista
O Seedance 2.0 foi liberado recentemente em uma versão de teste restrita ao mercado chinês. Mesmo assim, trechos gerados pela ferramenta – que incluem super-heróis de grandes franquias e personagens de videogames – já se espalharam por plataformas globais, alimentando preocupações sobre a facilidade de reprodução não autorizada de propriedades intelectuais.
Até o momento, a ByteDance não comentou publicamente as acusações. Também não foram divulgadas medidas judiciais imediatas por parte da MPA ou dos estúdios representados, mas a associação sinalizou que estuda “todas as opções legais disponíveis” para proteger os direitos de seus membros.
Especialistas em propriedade intelectual observam que a disputa pode estabelecer parâmetros sobre o uso de imagens de celebridades e personagens em criações sintéticas. A indústria audiovisual dos Estados Unidos pressiona por regras mais rígidas, enquanto empresas de tecnologia defendem maior flexibilidade para desenvolvimento de modelos de IA capazes de gerar conteúdo.
Imagem: Reuters
Nos bastidores, executivos de Hollywood avaliam que o caso Seedance pode acelerar discussões já em curso no Congresso norte-americano sobre a necessidade de atualizar legislações de copyright diante do avanço rápido da geração de vídeos por inteligência artificial.
A MPA reiterou que continuará monitorando o uso de suas obras e “responderá vigorosamente a qualquer serviço que comprometa a integridade da cadeia produtiva do cinema e da televisão”. Até que haja um posicionamento oficial da ByteDance ou medidas concretas de proteção, a associação segue orientando criadores e estúdios a documentarem possíveis infrações relacionadas aos conteúdos do Seedance.
Com informações de G1
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