Representantes de instituições acadêmicas norte-americanas defenderam, durante o Century Summit VI, a reformulação completa dos modelos de ensino para possibilitar aprendizado ao longo de toda a vida. Organizado pela Universidade Stanford, o encontro, realizado sob o tema “Longevidade, aprendizado e o futuro do trabalho”, reuniu pesquisadores que apontaram a inteligência artificial (IA) como ferramenta central para democratizar o acesso ao conhecimento.
Em um painel intitulado “Enabling learning across the life course”, William Gaudelli – diretor da Faculdade de Aprendizagem ao Longo da Vida da Georgia Tech, instalada em 2024 – afirmou que os formatos tradicionais deixaram de atender às demandas do mercado. “O sistema de ensino já estava longe de ser perfeito. Agora precisa ser reinventado, porque até o conceito de universidade enquanto instituição de aprendizado está em xeque. Ninguém pode achar que um curso de quatro ou cinco anos vai servir para a vida toda”, declarou.
Gaudelli apresentou metas até 2035 e citou números que reforçam a urgência de mudanças: três em cada quatro empregadores relatam dificuldade para encontrar profissionais com as competências exigidas, enquanto duas em cada cinco habilidades existentes deverão sofrer alterações ou tornar-se obsoletas até 2030. Para o pesquisador, enfrentar esse cenário depende de “uma ampla coalizão de governos, corporações e doadores” capaz de transformar o campus em apoio permanente ao estudante e em espaço aberto à comunidade.
IA e ciência do design no centro da reformulação
Candace Thille, diretora do Centro de Aceleração do Aprendizado de Stanford, ressaltou a chamada ciência do design aplicada à educação. Segundo ela, algoritmos de IA permitem desenvolver modelos sob medida para diferentes perfis de alunos, levando em conta contextos culturais e socioeconômicos variados. “Se otimizarmos as ferramentas, poderemos replicar uma experiência acadêmica de qualidade em qualquer lugar do mundo. A inteligência artificial nos oferece dois caminhos: concentrar ou redistribuir poder. Meu objetivo é que a maioria tenha acesso ao que está disponível apenas para uma elite”, explicou.
Já Carissa Little, diretora executiva do Centro de Engenharia para Educação Global e On-line da Universidade Stanford, destacou a combinação de IA e realidade virtual (RV) como meio de expandir cursos adaptáveis às necessidades individuais. “Sabemos que a RV é uma ferramenta excepcional para o aprendizado. Com a inteligência artificial, o tempo para criar esse tipo de conteúdo diminuiu muito”, disse.
Para os participantes do Century Summit VI, alinhar tecnologia e novas práticas pedagógicas representa o caminho mais curto para uma sociedade de aprendizado contínuo, na qual atualização profissional não se limite a períodos específicos da vida estudantil, mas acompanhe permanentemente as transformações do trabalho.
Com informações de G1
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