Especialista alerta para ameaça de inteligência artificial aos empregos baseados em conexão humana

William Kevim
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A sexta edição do Century Summit, conferência organizada pela Universidade Stanford, discutiu na semana passada os rumos da longevidade, do aprendizado e do trabalho. O encontro, que teve transmissão pela Record, reuniu pesquisadores de diferentes áreas e reservou um dos momentos mais marcantes para a palestra da socióloga Allison Pugh, professora da Universidade Johns Hopkins.

Enquanto muitos participantes apresentaram a inteligência artificial (IA) como solução para dilemas contemporâneos, Pugh adotou tom de cautela. A especialista afirmou que a idealização da tecnologia pode ameaçar profissões sustentadas pela empatia, característica que ela denomina “trabalho de conexão”.

Livro investiga valor da empatia

Para escrever o livro The last human job: the work of connecting in a disconnected world (ainda sem edição em português), Pugh entrevistou cerca de 100 profissionais durante cinco anos. Médicos, enfermeiros, terapeutas, cuidadores e cabeleireiros foram alguns dos entrevistados. “Eles vivenciam a empatia e enxergam o outro – é isso que o ser humano faz de melhor”, disse a pesquisadora no evento.

A docente sustenta que o futuro do aprendizado e do trabalho deve priorizar pessoas e relações. “Focar no potencial humano leva à inovação. Quando indivíduos se conectam, constroem algo novo”, frisou. Segundo ela, o momento é crítico para decidir de que forma a IA será incorporada à sociedade. “Empresas de IA visam ao lucro e tentarão ocupar todos os espaços possíveis de ensino, mentoria e companhia”, alertou.

Perigos da substituição total

Pugh afirmou que a IA é desenvolvida para manter usuários engajados, atendendo a desejos imediatos e desencorajando a busca por auxílio humano. “Queremos a tecnologia que crie medicamentos eficazes em tempo recorde, não aquela que medeie cada aspecto da vida”, declarou.

A socióloga também introduziu o conceito de “fricção”, tensão necessária para que aprendizados e relacionamentos avancem. “Criatividade não surge do conforto. Propósito nasce de interações que envolvem dificuldades”, explicou. Para ela, algoritmos que eliminam essa fricção podem comprometer a capacidade de as pessoas se relacionarem no trabalho e fora dele.

Investimento político da Meta

O debate ganhou novo fôlego quando Pugh citou reportagem do The New York Times publicada na semana passada. O jornal informou que a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, planeja gastar US$ 65 milhões (cerca de R$ 340 milhões em valores de 2026) para apoiar políticos favoráveis à indústria de IA. Trata-se do maior investimento eleitoral já anunciado pela companhia e sinaliza a dimensão econômica envolvida no avanço da tecnologia.

Ao terminar sua fala, Pugh reforçou que “trabalhos de conexão” não devem ser encarados como obsoletos. Segundo ela, a discussão sobre inteligência artificial precisa considerar não apenas ganhos de eficiência, mas também a preservação de vínculos humanos que impulsionam criatividade, propósito e inovação.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.