Enviado dos EUA afirma que acordo de paz na Ucrânia está “muito próximo”

Robson Alves
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Washington – O enviado especial dos Estados Unidos para a Ucrânia, Keith Kellogg, declarou neste fim de semana que um entendimento para encerrar a guerra no leste europeu está “muito próximo”, restando apenas duas questões-chave a serem resolvidas: o futuro do território de Donbas e o controle da usina nuclear de Zaporizhzhia.

Em participação no Fórum de Defesa Nacional Reagan, realizado na Biblioteca e Museu Presidencial Ronald Reagan, em Simi Valley (Califórnia), Kellogg afirmou que as negociações chegaram aos “últimos 10 metros”, etapa que considerou a mais difícil de todo o processo.

A guerra teve início em fevereiro de 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia após oito anos de confrontos entre separatistas apoiados por Moscou e forças ucranianas nas regiões de Donetsk e Luhansk, que compõem Donbas.

Demandas de Moscou

Apesar do otimismo norte-americano, o Kremlin sinalizou entraves. O assessor de política externa do presidente Vladimir Putin, Yuri Ushakov, afirmou à imprensa russa que os Estados Unidos precisam promover “mudanças sérias e radicais” em suas propostas. Ele não especificou quais ajustes seriam necessários.

Na semana passada, Putin manteve quatro horas de conversas no Kremlin com o enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, e com o genro do ex-presidente, Jared Kushner. Ushakov confirmou que questões territoriais estiveram no centro do encontro — termo usado por Moscou para se referir às reivindicações sobre Donbas, onde a Ucrânia ainda controla cerca de 5 mil km².

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reiterou que conceder o restante de Donetsk sem um referendo seria ilegal e permitiria que a Rússia avançasse mais profundamente sobre território ucraniano no futuro.

Pontos em aberto

Segundo Kellogg, além do status de Donbas, o controle da usina de Zaporizhzhia — maior instalação nuclear da Europa, atualmente sob administração russa — permanece um impasse. “Se solucionarmos esses dois temas, o restante se encaixará”, declarou.

Zelensky informou ter tido uma “longa e substancial” conversa telefônica com Witkoff e Kushner no sábado (7). O Kremlin, por sua vez, disse esperar que Kushner desempenhe papel central na elaboração de um possível acordo.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.