Três engenheiros que atuavam no Vale do Silício foram presos na quinta-feira (19) sob a acusação de roubar segredos comerciais do Google e de outras grandes empresas de tecnologia para repassá-los ao Irã, informou a Procuradoria do Distrito Norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo o Ministério Público norte-americano, o trio também teria tentado obstruir a Justiça.
Os investigados fazem parte da mesma família: as irmãs Samaneh Ghandali, de 41 anos, e Soroor Ghandali, de 32, além de Mohammad Khosravi, 40, marido de Samaneh. As duas mulheres trabalharam no Google antes de migrarem para uma companhia identificada no processo como “Empresa 3”. Já Khosravi exercia funções em outra organização, classificada como “Empresa 2”.
Próximos passos na Justiça
O processo será conduzido pela juíza Susan van Keulen. Os três réus deverão retornar ao tribunal em 20 de fevereiro de 2026, data em que será definida a representação legal de cada um. Em caso de condenação, cada acusado está sujeito a até 10 anos de prisão e multa de US$ 250 mil por cada infração de conspiração ou de roubo de segredos comerciais. A acusação de obstrução de procedimento oficial pode acrescentar pena máxima de 20 anos de reclusão, além de multa no mesmo valor.
Como teria ocorrido o roubo de dados
De acordo com a denúncia, o grupo utilizou seus cargos para acessar informações confidenciais relativas a segurança de processadores, criptografia e outras tecnologias sensíveis. Parte desses arquivos teria sido enviada para dispositivos pessoais, computadores de trabalho uns dos outros e, posteriormente, para o Irã.
Os promotores afirmam que, enquanto trabalhava no Google, Samaneh Ghandali transferiu centenas de documentos para uma plataforma de comunicação de terceiros, usando canais que continham os primeiros nomes dos investigados. Soroor Ghandali teria adotado o mesmo procedimento. Em seguida, os materiais foram copiados para aparelhos pessoais, para o computador corporativo de Khosravi na “Empresa 2” e para o equipamento profissional de Soroor na “Empresa 3”.
Tentativa de ocultar rastros
O Ministério Público sustenta que os acusados forneceram declarações juramentadas falsas às empresas vítimas, destruíram registros eletrônicos e fotografaram telas de computadores para evitar a transferência direta de arquivos. Em agosto de 2023, depois que sistemas internos do Google identificaram atividades suspeitas, Samaneh teve o acesso bloqueado e assinou documento negando qualquer compartilhamento externo de dados sigilosos.
A acusação relata que, após o bloqueio, Samaneh e Khosravi pesquisaram maneiras de apagar comunicações e descobriram prazos de preservação de mensagens por operadoras de telefonia. Nos meses seguintes, o casal teria feito centenas de fotos de telas contendo informações estratégicas do Google e da “Empresa 2”. Na véspera de uma viagem ao Irã, em dezembro de 2023, Samaneh registrou cerca de 24 imagens do computador de Khosravi com dados confidenciais. Já em território iraniano, um dispositivo vinculado a ela acessou as fotos, enquanto Khosravi consultou outros documentos sigilosos.
Posicionamentos oficiais
O procurador federal Craig H. Missakian declarou que os suspeitos “exploraram suas posições para roubar segredos comerciais confidenciais” e reiterou o compromisso de proteger a inovação norte-americana. O agente especial do FBI responsável pelo caso, Sanjay Virmani, classificou o episódio como “uma traição calculada de confiança” e frisou que salvaguardar a tecnologia que sustenta a economia e a segurança dos Estados Unidos permanece como prioridade da agência.
As investigações seguem em curso e não há previsão de julgamento antes de 2026.
Com informações de G1
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