Empreendedoras negras com diploma crescem 16,8 pontos desde 2012

Rafael Ramos
4 Min Leitura

Pesquisa do Sebrae revela avanço histórico: 24,8% das empreendedoras negras têm Ensino Superior. O número supera em larga vantagem os 8,6% registrados entre homens negros donos de negócios.

A escolaridade entre as empreendedoras negras no Brasil vem apresentando um avanço significativo. Atualmente, 24,8% delas possuem Ensino Superior, o que representa um aumento de 16,8 pontos percentuais desde 2012. Em contrapartida, apenas 8,6% dos homens negros que são donos de negócios alcançaram essa mesma formação. Esses dados são parte de um estudo realizado pelo Sebrae, que analisa a evolução da escolaridade nesse grupo ao longo do tempo.

Segundo a pesquisa “Empreendedorismo Negro no Brasil Sob a Ótica da PNAD Contínua”, que abrange o período do 1º trimestre de 2012 até o 4º trimestre de 2025, o Ensino Médio passou a ser o nível educacional mais representativo entre as empreendedoras negras em 2015, superando o Fundamental Incompleto. Em 2022, o Ensino Superior conquistou a segunda posição, evidenciando uma mudança no cenário educacional.

Apesar desse avanço, as mulheres negras ainda enfrentam desafios significativos em termos de rendimento. Elas recebem menos de 56% do que os empreendedores brancos, com um rendimento médio de pouco mais de R$ 2 mil. Esse valor corresponde a apenas 54% do rendimento das mulheres brancas que possuem negócios. Em contraste, um empreendedor branco pode faturar até R$ 5.144 por mês.

Atualmente, um em cada três empreendedores negros é mulher. No último trimestre de 2012, as mulheres negras representavam 30,3% do total de empreendedores negros, e mesmo com um crescimento de 1,9 pontos percentuais, elas continuam a ser minoria nesse segmento.

Como Associado da Amazon, recebo por compras qualificadas.

Além disso, as empreendedoras negras lideram como chefes de domicílio, com uma taxa de 57,9%, destacando-se em relação aos demais grupos. No que diz respeito ao tempo dedicado ao trabalho, as mulheres negras gastam em média 33 horas semanais à frente de seus negócios, em comparação com os homens negros, que investem 39 horas, e os brancos, que dedicam 41 horas por semana.

Embora as empreendedoras negras tenham uma representação crescente no mercado, ainda permanecem abaixo da média total de horas trabalhadas. Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, ressalta que o Sebrae está atuando de forma estratégica para fortalecer o empreendedorismo feminino, mas também enfatiza os desafios estruturais enfrentados por essas mulheres.

“Um dos motivos para essa condição ainda muito desigual pode estar na divisão de tarefas nos lares brasileiros. Infelizmente, sabemos que a cultura da rotina doméstica, da forma como se dá hoje, massacra o potencial de muitas futuras empresárias e dificulta o crescimento de vários negócios liderados por mulheres”, ressalta Margarete.

Ela ainda menciona que o “trabalho invisível”, que envolve os cuidados com a casa e a família, é um fator que impacta diretamente o potencial de crescimento dos negócios liderados por mulheres.

Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.