O bilionário Elon Musk efetuou mais uma rodada de demissões na rede social X, antigo Twitter. Segundo o Wall Street Journal, divulgado na quinta-feira (26), a diretora de marketing Zepeda e aproximadamente 20 colaboradores foram desligados como parte de um amplo enxugamento na companhia.
Fontes ouvidas pelo jornal relatam que a medida tem como objetivo alinhar o tamanho da operação à estratégia da SpaceX, controladora do X desde a integração anunciada por Musk. A SpaceX estuda abrir capital em uma oferta pública inicial (IPO) que pode ultrapassar US$ 1 trilhão, e a redução de custos no X é vista como passo crucial para o plano.
Integração com xAI e SpaceX acelera cortes
Zepeda ocupava o cargo de diretora de marketing desde setembro de 2024 e foi dispensada no mês passado, logo depois de Musk comunicar a união operacional entre a xAI, sua empresa de inteligência artificial, e a SpaceX. O X já havia sido absorvido pela xAI em 2025; em fevereiro de 2026, as duas estruturas passaram a atuar juntas.
A orientação aos funcionários remanescentes é concentrar esforços no aumento de receitas e na contenção de despesas. O foco ganhou força com a chegada de Jon Shulkin, sócio da Valor Equity Partners, como diretor de receitas. Ele responde pela geração de caixa tanto do X quanto da xAI, ambas atrás de concorrentes em publicidade digital e comercialização de soluções de IA.
Receita publicitária segue em queda
Projeções da consultoria eMarketer indicam que a receita de anúncios do X nos Estados Unidos crescerá 1,5 % neste ano, alcançando US$ 1,27 bilhão. No mundo, a alta estimada é de 2,2 %, para US$ 2,19 bilhões. Em 2021, último exercício antes de Musk fechar o capital da empresa, o então Twitter faturou US$ 4,51 bilhões com publicidade.
A fusão entre xAI e SpaceX provocou outras mudanças: alguns cofundadores da xAI saíram, times foram realocados e a área de “visão”, que cuida de projetos de geração de vídeo para o sistema de IA Grok, foi reformulada.
Anunciantes oscilam; gestão muda de mãos
A plataforma perdeu grandes anunciantes em razão de preocupações com moderação de conteúdo e instabilidade na liderança. Ainda assim, parte das marcas voltou a investir após a eleição de Donald Trump em 2024. Entre elas está a Amazon, de acordo com o WSJ. Musk declarou apoio ao republicano e doou mais de US$ 250 milhões a grupos ligados ao partido.
Com a saída de Zepeda e da ex-CEO Linda Yaccarino, a administração do X passou a ser exercida por Shulkin e por Monique Pintarelli, diretora global de publicidade da xAI. O duo agora responde pelas áreas de vendas, parcerias de conteúdo e marketing.
Pagamentos ainda no radar
Apesar dos atrasos, o X mantém planos para lançar o X Money, funcionalidade de pagamentos internos. A iniciativa esbarra na necessidade de conseguir licenças financeiras nos 50 estados norte-americanos. Em publicação de 10 de março, Musk informou que o acesso antecipado ao serviço deve ser liberado “em breve”.
As demissões mais recentes refletem o empenho do empresário em adequar a rede social às metas financeiras e operacionais das demais empresas do grupo, enquanto prepara o terreno para a possível abertura de capital da SpaceX.
Com informações de G1
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