A NOAA confirmou o El Niño e alerta para intensificação do fenômeno. No Nordeste, a tendência é de seca mais severa, impactando agricultores e abastecimento em Sergipe.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou, nesta quinta-feira (11), a formação do fenômeno climático conhecido como El Niño. Esse fenômeno ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial se tornam mais quentes do que o normal.
De acordo com a NOAA, “as condições do El Niño estão presentes e espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte”. A confirmação já era esperada por meteorologistas, que observaram um aquecimento gradual no Pacífico e projeções que indicavam alta probabilidade de desenvolvimento do fenômeno ainda no primeiro semestre de 2026.
No mês passado, a agência apontou 82% de chance de formação do El Niño nos meses seguintes. Agora, a discussão gira em torno da intensidade do fenômeno. O boletim divulgado nesta quinta-feira confirma que ele está estabelecido e indica 63% de probabilidade de que se torne muito forte, podendo figurar entre os maiores eventos registrados desde 1950.
O El Niño e a La Niña são as duas fases do fenômeno climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico equatorial em pelo menos 0,5°C. Esse fenômeno ocorre com frequência a cada dois a sete anos, tem duração média de doze meses e gera impacto direto no aumento da temperatura global.
No Brasil, os impactos do El Niño variam conforme a região e a época do ano. Historicamente, o fenômeno tende a aumentar a chuva no Sul do país, o que pode elevar o risco de temporais e cheias. Já no Norte e em parte do Nordeste, a tendência é de redução das precipitações, agravando períodos de seca.
No Sudeste e no Centro-Oeste, os efeitos podem ser mais irregulares, com aumento das temperaturas, pancadas de chuva mal distribuídas e mudanças no comportamento das frentes frias. A chegada do El Niño preocupa, especialmente em um cenário de mudanças climáticas que já aqueceu o planeta.
“Há 63% de probabilidade de um El Niño muito forte durante o período de novembro a janeiro, que se classificaria entre os maiores eventos El Niño já registrados historicamente, desde 1950”, afirma a NOAA.
Um El Niño forte pode ter consequências significativas, afetando a agricultura, os reservatórios de água, a geração de energia, a ocorrência de queimadas e até o preço de alimentos em algumas regiões. Contudo, ainda não é possível determinar se o fenômeno será um “super El Niño”.
O termo não é uma classificação científica oficial, mas é utilizado para descrever eventos de grande intensidade, como os que ocorreram em 1982-83, 1997-98 e 2015-16. A força do El Niño depende do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial nos próximos meses e da resposta da atmosfera a esse aquecimento.
Desde 2006, uma sequência de episódios de El Niño tem alterado cada vez mais o clima do planeta, que já apresenta temperaturas mais elevadas do que no passado. Mesmo eventos considerados fracos ou moderados podem intensificar os riscos de secas, enchentes e ondas de calor.
O El Niño é um fenômeno que altera o padrão de chuvas e temperaturas no Brasil. Historicamente, ele causa um aumento de chuvas no Sul, redução no Norte e Nordeste, e maior irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste.
Os especialistas destacam que, apesar da alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, o aquecimento global continua sendo o principal fator responsável pelas mudanças climáticas. Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é que os próximos meses continuem a registrar temperaturas elevadas em diversas regiões do mundo.
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