Fenômeno climático confirmado pela NOAA preocupa o agronegócio brasileiro. Irrigação inteligente e drones entram em campo para proteger a próxima safra das instabilidades do tempo.
A confirmação da formação do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acende o alerta para as empresas agrícolas. Temperaturas acima do normal e mudanças no regime de chuvas são esperadas em diversas regiões do país. Nesse cenário, a irrigação se destaca como uma ferramenta essencial para mitigar perdas, aliada a outras tecnologias.
A BrasilAgro tem utilizado uma combinação de tecnologias, incluindo telemetria, drones, sistemas de gestão integrados e sistemas de irrigação baseados em dados. Essas inovações possibilitam automação e acompanhamento em tempo real das operações.
André Guillaumon, CEO da BrasilAgro, enfatiza que, em um cenário de chuvas irregulares, especialmente no início da janela de plantio, não é suficiente apenas reagir aos eventos climáticos. “É preciso planejamento, tecnologia e infraestrutura para dar mais previsibilidade à produção. A irrigação entra nesse contexto como uma ferramenta estratégica para reduzir riscos, proteger produtividade e permitir que o agricultor tome decisões com mais segurança”, afirma Guillaumon.
A BrasilAgro opera com 11.501 hectares de áreas irrigadas dentro de uma área agricultável total de 166,2 mil hectares. A companhia reportou uma redução de 30% no consumo de água e energia nas áreas irrigadas durante a safra 2024/25, resultado da implementação de sistemas de irrigação baseados em dados.
“Quando incorporamos a irrigação a um modelo integrado de gestão, ganhamos escala, previsibilidade e consistência nas decisões. Esse é um fator central para sustentar produtividade e eficiência ao longo do tempo”, complementa o CEO.
Outra empresa do setor, a SLC Agrícola, está investindo em irrigação na Bahia para possibilitar o plantio de duas safras anualmente na mesma área, além de aumentar a produtividade na região, mesmo diante das adversidades climáticas. A SLC já conta com 19 mil hectares irrigados e planeja expandir essa área para 53 mil hectares nos próximos anos.
No Brasil, o setor agrícola é o principal usuário de água, especialmente por meio da irrigação. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) indicam que o consumo de água no agronegócio representa 50,3% de tudo que é retirado de mananciais.
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