Economista de Harvard diz que tarifaço de Trump não traz benefícios nem aos EUA

Robson Alves
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Rio de Janeiro, 23 ago. 2025 – O professor de Economia da Universidade de Harvard Dani Rodrik afirmou que as tarifas de importação aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não estimulam a economia norte-americana nem geram empregos de qualidade no país.

Rodrik participou nesta semana do seminário Globalização, Desenvolvimento e Democracia, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Open Society Foundations, na sede do banco, no Rio de Janeiro.

“Autodestrutivo”, diz Rodrik

Segundo o economista, a estratégia de sucessivas taxações pode se revelar “autodestrutiva”. Ele argumenta que o aumento de lucratividade para alguns setores da indústria não garante mais investimentos, inovação ou contratações.

Rodrik classificou as tarifas como medidas que “devem ser temporárias” e acompanhadas de políticas domésticas voltadas a inovação, geração de empregos e proteção de setores específicos. “As tarifas são um escudo provisório, não o principal instrumento para atingir esses objetivos”, declarou.

Impacto sobre o Brasil

O Brasil foi incluído no pacote tarifário norte-americano. Desde 6 de agosto, vigora a sobretaxa de 50% sobre parte das exportações brasileiras, atingindo 35,9% dos itens enviados aos EUA, o equivalente a 4% das exportações do país. Aproximadamente 700 produtos ficaram de fora da cobrança. Para mitigar os efeitos, o governo brasileiro lançou, em 13 de agosto, o Plano Brasil Soberano.

Corte na ajuda externa dos EUA

O evento também contou com a presença de Alex Soros, presidente do Conselho da Open Society. Ele criticou o encerramento das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), apontando que a medida resultou em cortes humanitários significativos. “Falando como americano, isso não está no interesse dos Estados Unidos”, disse.

Investimento social na América Latina

Na mesma ocasião, a Open Society Foundations anunciou um plano de oito anos para apoiar organizações e governos na América Latina, com foco em povos indígenas, comunidades afrodescendentes e mulheres de Brasil, Colômbia e México. O objetivo é promover acesso a serviços essenciais, empregos de qualidade e segurança para populações historicamente marginalizadas.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.