O mercado financeiro viveu um dia tenso nesta quarta-feira (24). A alta do dólar e a queda das bolsas pressionam preços e afetam diretamente o bolso do brasileiro.
Em um dia marcado por nervosismo no mercado financeiro, o dólar subiu e alcançou o maior valor em quase três meses nesta quarta-feira (24). A bolsa de valores, por sua vez, encerrou o pregão com uma queda de quase 0,5%, influenciada pela desvalorização das ações de petroleiras e mineradoras.
Esse movimento refletiu a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos, além da significativa queda do petróleo, que atingiu o menor nível desde o início da guerra. Isso resultou em uma diminuição do apetite por ativos vinculados a commodities, que têm cotação internacional.
O dólar comercial fechou esta quarta-feira (24) com alta de 0,28%, sendo cotado a R$ 5,202. Durante a manhã, a moeda americana chegou a atingir uma máxima de R$ 5,22. Este foi o segundo pregão consecutivo de valorização e o maior nível de fechamento desde 30 de março.
A força do dólar se deve à expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, possa adotar uma postura mais restritiva em resposta a sinais de pressão inflacionária na economia americana. O mercado está aguardando a divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), que é o principal indicador de inflação acompanhado pelo Fed.
Além disso, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes, operava próximo dos maiores níveis em mais de um ano, acumulando uma alta de cerca de 3% no ano.
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No Brasil, analistas observam que a diferença entre as perspectivas de juros dos Estados Unidos e do Brasil diminuiu a atratividade do carry trade, uma estratégia que se baseia nos ganhos com a diferença entre os juros altos no Brasil e as taxas mais baixas nos Estados Unidos.
O principal índice da B3, o Ibovespa, fechou o dia aos 170.506 pontos, com uma queda de 0,44%, após três sessões consecutivas de alta. Apesar de ter iniciado o dia em alta, o índice perdeu força devido à pressão das ações ligadas a commodities.
Esse desempenho ocorreu em meio à queda dos preços do petróleo e à valorização do dólar, que pressionaram os preços de metais básicos. As ações de bancos também contribuíram para a baixa do índice, enquanto ações que têm relação com o consumo interno apresentaram ganhos, beneficiadas pela redução das taxas de juros futuros.
Os investidores também acompanharam os sinais de avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, além da retomada gradual do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz. Esse alívio nas tensões externas ajudou a reduzir o prêmio de risco sobre o petróleo, impactando empresas do setor de energia.
Na parte do petróleo, o preço caiu pelo terceiro pregão consecutivo, fechando no menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, devido à perspectiva de um aumento na oferta global.
O contrato do Brent para setembro, referência para a Petrobras, caiu 3,81%, encerrando a US$ 73,87 por barril. Já o barril do tipo WTI, do Texas, para agosto, recuou 3,92%, alcançando US$ 70,34 por barril, e chegou a operar abaixo de US$ 70 durante o dia.
A redução no preço do petróleo ocorreu após sinais de normalização do transporte pelo Estreito de Ormuz e medidas que podem flexibilizar as restrições ao petróleo iraniano. Analistas destacam que o mercado passou a considerar um menor risco de interrupções no fornecimento, embora continuem atentos à evolução das negociações geopolíticas.
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