O Tesouro Nacional confirmou que a Dívida Pública Federal chegou a R$ 9,033 trilhões em maio. A alta reflete emissões atreladas à Selic, fixada em 14,25% ao ano.
A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um aumento de 2,66% em maio, superando a marca de R$ 9 trilhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional, que apontou que a DPF saltou de R$ 8,798 trilhões em abril para R$ 9,033 trilhões no mês passado.
Esse crescimento é reflexo da forte emissão de títulos atrelados à Taxa Selic, que atualmente está fixada em 14,25% ao ano. Em agosto do ano anterior, a dívida já havia ultrapassado R$ 8 trilhões. Apesar do aumento, os números estão dentro do que foi previsto. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) também teve um desempenho positivo, com um avanço de 2,72%, passando de R$ 8,462 trilhões em abril para R$ 8,692 trilhões em maio. No último mês, o Tesouro emitiu R$ 135,61 bilhões em títulos além do que foi resgatado, com destaque para os papéis vinculados à Selic. Essa alta foi reforçada pela apropriação de R$ 94,17 bilhões em juros, que é a correção mensal dos juros que incidem sobre os títulos.
O volume de emissão de títulos da DPMFi em maio foi de R$ 166,23 bilhões, estabelecendo um recorde histórico. O aumento se deveu à substituição de títulos que venceram em março e à demanda dos investidores. Os resgates realizados no mesmo mês somaram R$ 30,62 bilhões, um valor considerado baixo para os padrões do Tesouro Nacional, dado que o segundo mês de cada trimestre geralmente apresenta poucos vencimentos.
A Dívida Pública Federal externa (DPFe) também subiu, apresentando um crescimento de 1,28%, passando de R$ 335,88 bilhões em abril para R$ 340,49 bilhões em maio, influenciada pela alta de 1,37% do dólar.
O colchão da dívida pública, que serve como reserva financeira em tempos de crise, cresceu de R$ 1,091 trilhão em abril para R$ 1,211 trilhão em maio, alcançando o maior nível desde novembro de 2025. Essa elevação ocorreu devido a emissões que superaram os resgates no período.
Atualmente, essa reserva cobre 9,14 meses de vencimentos da dívida pública, com R$ 1,804 trilhão previsto para vencer nos próximos 12 meses.
A composição da DPF mudou entre abril e maio, com uma leve alteração nos tipos de títulos. Os títulos vinculados à Selic passaram de 48,59% para 48,99%, enquanto os títulos corrigidos pela inflação caíram de 26,76% para 26,26%. Os títulos prefixados aumentaram de 20,85% para 21%, e os vinculados ao câmbio diminuíram de 3,8% para 3,75%.
O prazo médio da DPF caiu de 4,12 para 4,07 anos, indicando que o governo leva, em média, um pouco menos de tempo para refinanciar a dívida pública.
A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna é a seguinte: instituições financeiras detêm 31,54% do estoque, fundos de pensão representam 22,92%, fundos de investimentos têm 21,74%, não-residentes (estrangeiros) são 10,14% e demais grupos somam 13,67%.
Com a crescente tensão no mercado financeiro em maio, devido à guerra no Oriente Médio, a participação dos não residentes na dívida interna caiu ligeiramente, passando de 10,38% em abril para 10,14% em maio. A proporção de estrangeiros na dívida é um indicador da confiança no Brasil.
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