Dieta de Dopamina: Trocar Telas por Livros Ajuda a Combater Estresse e Ansiedade

Claudio Vasconcelos
4 Min Leitura

O esgotamento mental causado pela hiperconectividade tornou-se uma verdadeira urgência de saúde pública. No Brasil, o impacto é alarmante: segundo uma pesquisa de 2025, a população passa, em média, 9 horas diárias conectada à internet, sendo 3 horas apenas nas redes sociais. Para enfrentar a ansiedade e o estresse que surgem desse excesso, especialistas recomendam uma alternativa acessível e analógica: a leitura. A ideia de uma ‘dieta de dopamina’, que consiste em substituir o tempo de tela por livros, surge como uma estratégia eficaz para recuperar a atenção e promover o bem-estar mental.

De acordo com Gabriela Inthurn, professora do curso de Psicologia da Uniasselvi, a busca constante por prazeres instantâneos nas plataformas digitais afeta seriamente o funcionamento do cérebro.

“A liberação de dopamina é um processo natural e essencial, mas a superexposição a estímulos curtos e rápidos, como vídeos de poucos segundos e rolagens infinitas de feeds, diminui drasticamente a nossa tolerância à frustração”,

destaca a professora.

A imprevisibilidade das interações virtuais, a sobrecarga de informações simultâneas e as comparações sociais constantes criam um ambiente propício para o adoecimento mental. Gabriela Inthurn alerta:

“O que pode ser considerado potencialmente ruim é o hábito de consumo de recompensas rápidas que podem criar uma preferência por esse tipo de atividade, em vez de outras como estudo, trabalho e atividade física.”

Enquanto o uso das redes sociais tende à dispersão e ao hiperestímulo, a leitura exerce uma influência oposta no cérebro. O ato de ler requer atenção focada e ativa a memória de curto prazo, envolvendo áreas essenciais como o córtex visual, o córtex temporal e o córtex parietal. Além de ser um exercício para processos cognitivos complexos, a leitura funciona como um verdadeiro recurso terapêutico. Ao transportar a mente para novas narrativas, essa prática ajuda a

“desfocar”

dos problemas do dia a dia, induzindo um efeito calmante que reduz significativamente os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e a ansiedade.

Para incentivar a leitura e proteger a saúde mental, a especialista sugere algumas ações simples:

  • Facilite o acesso: tenha sempre um livro físico ou um leitor digital por perto, na cabeceira, na mochila ou na mesa de trabalho. Escolha temas que lhe interessem, histórias que envolvam ou que permitam um ‘desligar’ momentâneo das situações estressantes.
  • Priorize a regularidade, não o tempo: a frequência é mais importante que a intensidade. Ler algumas páginas todos os dias traz mais benefícios cognitivos do que tentar ler por horas a fio uma vez ao mês. O que conta é a constância.
  • Crie um ritual: associe o momento da leitura a pequenos prazeres diários, como tomar uma xícara de café ou chá, criando um espaço de descompressão.

Quanto ao melhor momento do dia para ler, a professora desmistifica regras rígidas:

“Não existe um melhor horário para ler, isso depende da rotina da pessoa. É preciso tomar cuidado para que a leitura não atrapalhe o sono, ser realizada em um ambiente com silêncio e boa iluminação, e evitar momentos em que a pessoa esteja muito cansada”,

conclui Inthurn.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.