Denúncias de exploração infantil dobram e colocam redes sociais sob pressão por falhas na moderação

William Kevim
3 Min Leitura

As ocorrências de exploração sexual de crianças e adolescentes em plataformas digitais mais que dobraram em apenas seis dias, após a divulgação de um vídeo do influenciador Felca na última quarta-feira (6). Na gravação, ele acusa o também influenciador Hytalo Santos de envolver adolescentes em conteúdos com conotação sexual voltados a adultos.

Ferramentas existem, mas modelo de negócio pesa

Instagram, TikTok e YouTube afirmam possuir sistemas automáticos capazes de retirar publicações que violem suas diretrizes. No entanto, especialistas ouvidas pelo g1 atribuem a persistência do problema à lógica de engajamento e monetização das redes.

“Todo mundo ganha: plataformas faturam com publicidade e criadores recebem repasses, mas o usuário é exposto”, avalia Raquel Saraiva, presidente do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec).

Maria Mello, coordenadora do Instituto Alana, questiona o investimento real das empresas: “Não temos dúvida de que o modelo econômico e o desenho dessas redes, no mínimo, toleram a circulação desse material”.

Filtros automatizados já são aplicados em direitos autorais

Raquel lembra que as plataformas conseguem barrar vídeos que infrinjam direitos autorais ao detectar músicas ou imagens protegidas. Para ela, um mecanismo semelhante poderia impedir a monetização de conteúdo com presença de crianças.

Repercussão chega ao Congresso e ao STF

Na terça-feira (12), a Câmara retomou a análise do PL 2628/2022, que trata da proteção de menores nas redes. O texto apresentado não menciona o “dever de cuidado” das plataformas, mas proíbe pornografia e jogos de azar.

Em junho, o Supremo Tribunal Federal decidiu que empresas podem ser responsabilizadas por falhas sistêmicas na remoção de “crimes sexuais contra pessoas vulneráveis, pornografia infantil e crimes graves contra crianças e adolescentes”.

O que dizem as plataformas

Meta afirma remover qualquer conteúdo de exploração sexual infantil. O TikTok declara proibir monetização de contas de menores de 18 anos e dar prioridade à remoção rápida de material grave. Já o YouTube sustenta excluir publicações que coloquem crianças em risco assim que são identificadas.

Orientações para responsáveis

Especialistas recomendam reduzir a exposição de crianças na internet e restringir o público que acessa fotos ou vídeos. Ferramentas nativas de Android, iPhone e das próprias redes permitem controlar tempo de uso e revisar interações.

“Crianças não são miniadultas; a superexposição prejudica o desenvolvimento”, alerta Maria Mello. Raquel enfatiza a importância de diálogo: “Elas precisam se sentir seguras para relatar qualquer situação que as incomode”.

Com informações de g1

Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.