De casa em casa à orla do Vaza-Barris: 80 anos de escola no Mosqueiro

Rafael Ramos
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Fundada na década de 1940, a Escola Municipal José Carlos Teixeira atravessa gerações e se tornou símbolo de identidade no Mosqueiro, em Aracaju.

No bairro Mosqueiro, às margens do rio Vaza-Barris, a Escola Municipal de Ensino Fundamental José Carlos Teixeira carrega uma história que se confunde com a da própria comunidade. Fundada na década de 1940, a instituição formou milhares de crianças ao longo das décadas e tornou-se um símbolo de pertencimento e identidade cultural da região — um legado que nasceu do pioneirismo de duas mulheres à frente de seu tempo.

As professoras Josefa Lopes de Oliveira, carinhosamente conhecida como “Minha Mestra”, e Eulina Brito, a “Dona Ninha”, foram as fundadoras da unidade de ensino. No início, as aulas aconteciam na própria residência de Dona Josefa, no Loteamento Galego, e a instituição funcionava sob o nome de Escola Municipal Frei Pascásio, administrada pela Prefeitura de São Cristóvão. “Minha bisavó e Dona Ninha eram moradoras da região e alfabetizaram crianças do Mosqueiro e de localidades vizinhas, numa época em que praticamente não existiam escolas na Zona de Expansão”, recorda Maxsuel Oliveira, bisneto de Dona Josefa.

Décadas depois, a história construída por elas continua viva — e é preservada, literalmente, dentro da própria escola. Maxsuel atua hoje como assistente técnico na José Carlos Teixeira, cargo que ocupa desde novembro de 2025, e representa mais uma geração da família ligada à instituição. “Eu costumo dizer que existe uma linhagem histórica na nossa família. Minha bisavó fundou a escola, minha avó estudou aqui, depois vieram minha mãe, minha tia, meus primos e eu também fui aluno. Hoje trabalho aqui e sinto muito orgulho de fazer parte de um lugar que carrega a história da minha família e de tantas outras famílias do Mosqueiro”, afirma.

Essa relação afetiva se repete entre muitos moradores da comunidade. Ao longo dos anos, a escola acolheu diferentes gerações das mesmas famílias e acompanhou o crescimento do bairro, que hoje abriga um dos principais cartões-postais de Sergipe: a Orla Pôr do Sol. “A escola tem vista para a orla e faz parte da identidade do povo do Mosqueiro. A comunidade nasceu da pesca, às margens do rio Vaza-Barris, que até hoje garante o sustento de muitas famílias. Essa ligação com o território é muito forte, principalmente para quem estudou aqui”, destaca Maxsuel.

Da pequena sala improvisada na casa de Dona Josefa ao prédio atual, a trajetória foi construída tijolo a tijolo, junto com o próprio bairro. Hoje, a escola conta com 215 alunos matriculados, distribuídos em seis salas de aula, além de refeitório, quadra esportiva, sala multiuso e demais espaços administrativos — estrutura que reflete décadas de dedicação à educação e ao desenvolvimento de uma comunidade que, desde o princípio, apostou no poder de ensinar.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.