Houston (EUA) — 23 de março de 2026. A presidente e diretora de investimentos da Alphabet, Ruth Porat, afirmou nesta segunda-feira (23) que a expansão acelerada da inteligência artificial pode colocar em risco a capacidade de geração de energia nos Estados Unidos. O alerta foi feito durante a conferência CERAWeek, evento do setor de energia realizado em Houston, Texas.
“Estamos preocupados com o fato de não estarmos avançando em ritmo suficiente na produção de energia”, declarou Porat ao comentar o aumento do consumo provocado pelos novos sistemas de IA. Segundo a executiva, a demanda projetada exigirá que o país recorra a diversas fontes, ampliando não apenas a oferta de eletricidade, mas também a diversificação da matriz energética.
Compras estratégicas e novas tecnologias
Para garantir abastecimento próprio, a Alphabet adotou medidas incomuns entre companhias de tecnologia. A empresa comprou recentemente uma companhia do setor elétrico, movimento que, de acordo com Porat, está diretamente ligado aos planos de crescimento da controladora do Google.
Além da aquisição, o grupo investe em reatores nucleares avançados, conhecidos como a nova geração de usinas nucleares. Esse tipo de instalação promete fornecer volumes significativos de eletricidade de forma constante, algo considerado essencial para data centers que hospedam modelos de IA. A Alphabet também tem firmado contratos de resposta à demanda, mecanismo que prevê a redução temporária do consumo por grandes usuários nos horários de pico para aliviar o sistema.
Data centers no centro da preocupação
Os data centers, instalações que reúnem milhares de servidores responsáveis por armazenar e processar dados de serviços digitais, são apontados pela executiva como grandes consumidores de energia. A popularização da IA intensificou a procura por processamento, ampliando o volume de eletricidade necessário para manter esses equipamentos em funcionamento 24 horas por dia.
Em um dos projetos citados, a Alphabet assinou acordo com a fornecedora NextEra Energy para reativar uma usina nuclear desativada no estado de Iowa. Toda a produção da planta será destinada ao funcionamento de data centers da companhia, medida que, segundo Porat, ajuda a assegurar estabilidade energética e a reduzir a pressão sobre outras fontes durante picos de consumo.
Embora não tenha detalhado prazos ou valores, a presidente da Alphabet reforçou que investimentos desse tipo serão decisivos para acomodar a curva de crescimento da inteligência artificial sem comprometer a rede elétrica norte-americana.
Com informações de G1
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