CPI do Crime Organizado convida chefes militares e convoca diretor da Meta e ex-deputado TH Joias

Rafael Ramos
3 Min Leitura

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que apura o crime organizado aprovou, nesta quarta-feira (26), uma série de requerimentos para ouvir autoridades civis e militares. Entre eles, estão convites aos comandantes da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, além do chefe do Comando Militar da Amazônia, general Luiz Gonzaga Viana Filho. Por se tratar de convite, a presença dos oficiais não é obrigatória.

Autor do pedido, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) argumentou que a participação das Forças Armadas é decisiva para compreender o papel de proteção das fronteiras marítimas e o controle do espaço aéreo, rotas usadas pelo tráfico de drogas e armas. O parlamentar destacou que a Força Aérea Brasileira, sob comando de Damasceno, possui responsabilidade legal pela fiscalização, monitoramento e eventual interceptação de aeronaves suspeitas.

Big Tech na mira

Na mesma reunião, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), conseguiu aprovar a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister. A empresa norte-americana controla Facebook, Instagram e WhatsApp.

Vieira citou documentos internos que, segundo reportagens, apontam que a Meta teria ciência do uso das plataformas para fraudes, golpes e comércio de produtos ilícitos. Conforme esses registros, cerca de US$ 16 bilhões teriam sido obtidos em 2024 com anúncios de conteúdo proibido, montante que representaria aproximadamente 10% da receita anual da companhia. O senador quer detalhes sobre o volume de recursos movimentados no Brasil e as providências adotadas pela empresa para conter as irregularidades.

Ex-deputado chamado a depor

A CPI decidiu ainda convocar o ex-deputado estadual fluminense Thiego Raimundo dos Santos Silva (MDB-RJ), conhecido como TH Joias. Ele está preso preventivamente e foi indiciado pela Polícia Federal por supostamente intermediar a compra de armas para uma facção criminosa no Rio de Janeiro. A defesa nega as acusações. Para o relator, o caso é relevante porque envolve a possível utilização de um comércio legal de joias para lavar dinheiro de organizações criminosas.

Outros convidados

A comissão também aprovou convites para:

  • Antônio Fernando Souza Oliveira, diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal;
  • Robinson Sakiyama Barreirinhas, secretário especial da Receita Federal;
  • Mário Luiz Sarrubbo, secretário Nacional de Segurança Pública;
  • Ricardo Andrade Saadi, presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Instalada após uma operação policial no Rio de Janeiro que resultou em 122 mortes, a CPI do Crime Organizado pretende mapear a atuação de facções e milícias no país e propor mudanças legislativas e políticas públicas de enfrentamento.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.