O Idec acende o sinal de alerta: a euforia da Copa pode ser explorada pelas bets para atrair apostadores. Consumidores vulneráveis estão no centro da preocupação.
Na Copa do Mundo, a paixão pelo futebol pode se transformar em uma ferramenta poderosa de manipulação a serviço das empresas de apostas online, conhecidas como bets. Esse alerta foi emitido pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).
O Idec afirmou que eventos esportivos com grande mobilização emocional aumentam significativamente a exposição da população à publicidade de apostas, atingindo não apenas apostadores habituais, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade.
“Eventos esportivos de grande mobilização emocional tendem a ampliar significativamente a exposição da população à publicidade de bets”, destacou o Idec.
Esse alerta surge após a divulgação de uma pesquisa realizada pela Softswiss, uma empresa multinacional que fornece tecnologias para plataformas de jogos online. A pesquisa indica que a Copa deste ano pode aumentar em pelo menos 50% o volume global de apostas esportivas, em comparação com a edição de 2022.
Além disso, as apostas esportivas que movimentaram cerca de US$ 35 bilhões há quatro anos têm o potencial de gerar cerca de US$ 52 bilhões nesta edição. O diretor de Operações da Softswiss, Alexander Kamenetsky, apontou que os principais fatores desse crescimento são o formato ampliado do torneio, o avanço dos mercados regulamentados de apostas, as melhorias na experiência de apostas móveis e a capacidade da Copa do Mundo de atrair tanto apostadores frequentes quanto ocasionais.
A nova edição da Copa do Mundo, que ocorrerá em 2026, ampliou seu formato de 32 para 48 equipes e de 64 para 104 partidas. Estima-se que os apostadores brasileiros possam responder por aproximadamente 10% do volume global de apostas, e essa participação pode aumentar caso a seleção avance nas fases decisivas da competição.
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O Placar das Bets, uma plataforma de monitoramento do mercado de apostas, revelou que os brasileiros já gastaram cerca de R$ 530,21 milhões em casas de apostas desde o dia 9 de junho, dois dias antes da abertura oficial da Copa. Até o início do evento, cada apostador brasileiro gastou, em média, R$ 188, valor que chegou a R$ 242 na quinta-feira (25).
O Idec expressou preocupação com o crescimento das apostas esportivas, considerando que a prática é nociva e traz impactos sociais e de saúde pública. O instituto defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) deveria declarar inconstitucionais as leis que permitiram os jogos e apostas online.
“Essa prática é altamente nociva às pessoas consumidoras e causam impactos sociais e de saúde pública”, alertou o Idec.
Enquanto isso não ocorre, o Idec considera que as regras atuais para a publicidade de apostas são insuficientes para proteger adequadamente a população. A naturalização das apostas, impulsionada por campanhas e influenciadores digitais, apresenta o jogo como uma forma simples e divertida de entretenimento, minimizando os riscos econômicos e psicológicos.
Doutor em finanças e professor da Unifesp, Ahmed El Khatib, destacou que a ligação emocional com o futebol está sendo utilizada para incentivar as apostas. Ele informou que cada partida gera diversas combinações de apostas, o que expande o volume de dinheiro movimentado.
“O que multiplica exponencialmente o volume de dinheiro movimentado. Então, é claro que torneios como a Copa são um grande negócio para as casas de apostas”, afirmou El Khatib.
Ele também comentou sobre a ilusão de controle que muitos apostadores têm, acreditando que conhecem bem os jogadores e podem prever resultados, quando na verdade se trata de um jogo de azar, o que pode levar ao endividamento e à transferência de recursos que antes eram destinados a outros setores da economia.
A Confederação Nacional do Comércio (CNC) informou que, entre janeiro e março de 2023, a inadimplência dos consumidores relacionada a gastos com jogos e apostas retirou R$ 143 bilhões do mercado.
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