Copa distrai brasileiros do escândalo Master, aponta pesquisa

Rafael Ramos
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Com a Copa do Mundo em curso, 45% dos brasileiros acreditam que o torneio vai apagar o escândalo Master da memória pública. O futebol, mais uma vez, entra em campo além das quatro linhas.

A seleção brasileira mantém uma postura neutra em relação à política desde a década de 1990, mesmo com a Copa do Mundo coincidindo com anos de eleições presidenciais. A expectativa é que o torneio, que começou na última quinta-feira (11), possa desviar a atenção do público dos debates políticos e dos escândalos que marcam o cenário nacional.

Um exemplo é o recente caso Master, que tem gerado polêmica no país. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Meio/Ideia revelou que 45% dos entrevistados acreditam que a Copa do Mundo fará com que a opinião pública se esqueça deste escândalo durante o evento. Em contrapartida, 41% discordam dessa afirmação e 14% não souberam ou não opinaram.

“O período da Copa é o tempo de organização interna das campanhas, quando o eleitor está com a atenção nos jogos, nos churrascos, nas confraternizações. Pouco se fala de política”, afirma Cila Schulman, diretora-executiva do Instituto de Pesquisa Ideia.

As investigações sobre o caso Master, que envolvem manobras políticas, tendem a ser adiadas durante a Copa. Os pré-candidatos poderão adotar uma postura mais defensiva, enquanto os holofotes estarão voltados para os jogos da seleção. Para Marcelo Vitorino, professor e consultor de marketing político, é crucial separar a agenda da memória do eleitor. Ele acredita que, mesmo que o caso Master perca espaço na mídia durante o Mundial, ele retornará ao debate político assim que as campanhas eleitorais se iniciarem em agosto.

“O assunto não precisa sobreviver à Copa, pois basta esperar que ela acabe. Por isso, quem está devendo explicação não deveria tratar o futebol como borracha. O caminho é enfrentar o tema antes da campanha”, aconselha Vitorino.

Em relação ao entusiasmo do público, a pesquisa do Instituto Meio/Ideia também mediu o nível de empolgação dos brasileiros em torcer pela seleção na Copa do Mundo e em votar nas eleições de outubro. Os resultados mostram que 21,3% dos entrevistados estão totalmente empolgados com o time, enquanto 35,3% se sentem parcialmente animados. Já em relação às eleições, 24% se dizem parcialmente desanimados, enquanto apenas 18,8% estão totalmente animados.

Cila Schulman destaca que este cenário reflete o baixo envolvimento do eleitor brasileiro com o processo eleitoral, que deve aumentar com o início oficial das campanhas. “A eleição está mais longe do que a Copa do Mundo no calendário, e o quadro de polarização atual pode estar causando cansaço no eleitor”, completa.

Historicamente, a Copa do Mundo no Brasil não tem impacto direto nos resultados eleitorais. Vitorino lembra que, em 2002, mesmo com a vitória da seleção, o então presidente Fernando Henrique Cardoso não conseguiu se reeleger. Em 2014, a derrota do Brasil na semifinal não impediu a reeleição de Dilma Rousseff. “O eleitor sabe separar a alegria do estádio dos problemas do cotidiano. O que realmente influencia o voto são questões como economia e segurança”, ressalta Vitorino.

Além disso, a diretora-executiva do Ideia menciona o uso do futebol por governos autoritários, ressaltando que, na democracia brasileira, nunca houve uma correlação entre os resultados da Copa e a percepção do eleitor. “A emoção do futebol é real, mas dura pouco”, conclui.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.