O Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube aprovou, na noite desta quinta-feira (18), o orçamento para a temporada de 2026 por diferença mínima de cinco votos. Ao todo, 112 conselheiros (50,23%) votaram a favor, enquanto 107 (47,98%) se posicionaram contra. Houve ainda quatro abstenções (1,79%), totalizando 223 votantes – cerca de 30 membros não participaram da sessão.
Receitas, despesas e superávit projetado
A proposta prevê receitas de R$ 931,8 milhões e despesas de R$ 893,8 milhões, resultando em superávit estimado de R$ 37,9 milhões. Aproximadamente 40% da arrecadação depende da negociação de atletas, além de premiações do Campeonato Brasileiro. Sem a verba das vendas de jogadores, o clube projeta déficit de R$ 126 milhões, algo em torno de R$ 10,5 milhões negativos por mês.
O futebol profissional, apesar de permanecer como o setor mais oneroso (R$ 542,2 milhões), terá redução de 5% nos gastos em relação a 2025. As demais áreas apresentam aumento de despesas. Chama a atenção o planejamento para a festa junina de 2026: a previsão é de receita de R$ 480 mil e gasto de R$ 3,5 milhões, déficit próximo de R$ 3 milhões.
Na base, o investimento deve crescer quase 50% em dois anos, saltando de R$ 40 milhões em 2024 para R$ 59 milhões em 2026. Para manter as operações durante 11 meses de resultado negativo, o clube planeja captar R$ 270 milhões em novos empréstimos ou por meio de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).
Clima tenso e divergências políticas
A votação ocorreu sob forte tensão. Na quarta-feira anterior, a reunião precisou ser encerrada antes do previsto após tentativa de invasão de torcedores ao salão nobre do MorumBis, o que levou ao acionamento da Polícia Militar.
No campo político, o grupo Legião, liderado pelo ex-diretor de futebol Carlos Belmonte, liberou seus membros para votar como quisessem. Já o movimento Salve o Tricolor Paulista, que reúne 41 conselheiros, orientou voto contrário em bloco.
A proximidade do período eleitoral e recentes episódios internos — como a crise no departamento médico e a suspeita de venda ilegal de ingressos em camarote do estádio — também contribuíram para o ambiente de disputa. Neste mesmo dia, o Ministério Público de São Paulo solicitou a abertura de inquérito policial para apurar o caso dos ingressos.
Com a aprovação, o orçamento segue agora para execução a partir de janeiro de 2026.
Fonte: Futebol Interior
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