Comissão do Vaticano diz que Igreja Católica demora para apoiar vítimas de abuso sexual

Robson Alves
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A Comissão de Proteção à Criança do Vaticano acusou altos líderes católicos de agir lentamente no amparo às vítimas de abuso sexual cometido por clérigos e na adoção de novas medidas de proteção. As críticas constam do relatório anual do órgão, divulgado nesta quinta-feira (16), em Roma.

Com 103 páginas, o documento afirma que a Igreja não fornece informações suficientes às vítimas sobre o andamento de suas denúncias nem esclarece se bispos negligentes foram punidos. A comissão relata ainda que seus próprios pedidos de dados sobre protocolos de proteção nem sempre são atendidos pelo Vaticano.

“Em muitos casos, as vítimas relatam que a Igreja respondeu com acordos vazios, gestos performativos e uma recusa persistente de se envolver de boa-fé”, destaca o texto.

Falhas na estrutura

Criada pelo então papa Francisco em 2014, a comissão avaliou a atuação de 22 países e do Dicastério para a Evangelização, responsável por acompanhar dioceses em nações em desenvolvimento. Segundo o relatório, esse dicastério conta com apenas um funcionário dedicado à proteção de menores, e a divisão de responsabilidades com outros departamentos do Vaticano não está clara, o que pode atrasar investigações e o tratamento de queixas.

Resistência em dioceses italianas

A Itália, tradicional reduto católico, foi apontada como um dos locais com maior resistência à cooperação. De um questionário enviado às 226 dioceses italianas sobre práticas de proteção, apenas 81 responderam. Na Coreia do Sul, diz o relatório, a adesão foi de 100%.

Novo contexto no papado

Após a morte de Francisco em abril, o papa Leão XIV, eleito em maio, reuniu-se diversas vezes com os membros da comissão e nomeou, em julho, um arcebispo francês para presidir o grupo. Francisco havia implantado um sistema mundial para denúncia de abuso ou acobertamento por parte de bispos, mas sobreviventes e defensores cobram políticas mais rígidas, incluindo tolerância zero para padres envolvidos em casos de violência sexual.

Transparência e punições

O relatório critica a falta de transparência do Vaticano sobre a remoção de bispos ligados a abusos ou omissão. Normalmente, a Santa Sé anuncia apenas que o pontífice aceitou a renúncia do religioso sem explicar o motivo.

“A falta de responsabilidade dos líderes da Igreja foi uma questão frequentemente levantada pelas vítimas”, observa o documento. “É fundamental comunicar publicamente as razões da renúncia ou remoção quando estiverem relacionadas a abuso ou negligência.”

A Igreja Católica, que reúne cerca de 1,4 bilhão de fiéis, vem enfrentando escândalos de abuso sexual e acobertamento há décadas, o que abalou sua credibilidade e resultou em centenas de milhões de dólares pagos em indenizações.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.