CNBB envia carta e manifesta solidariedade à Igreja na Venezuela após ofensiva dos EUA

Robson Alves
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) encaminhou uma carta à presidência da Conferência Episcopal Venezuelana para declarar solidariedade diante da crise provocada pelo ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, ocorrido no sábado (3).

Divulgado nas redes sociais, o documento descreve o momento no país vizinho como “marcado por tensões, sofrimentos e incertezas” que atingem toda a população. “Unimo-nos espiritualmente às vossas orações e iniciativas pastorais, expressando nossa solidariedade às vítimas da violência, aos feridos e às famílias enlutadas”, registra a carta.

Os bispos brasileiros afirmam partilhar “a dor do povo que sofre” e renovam a esperança “na força do Evangelho da paz desarmada e desarmante”. O texto defende diálogo sincero, justiça e respeito à dignidade humana e à soberania das nações como caminho para o bem comum, o fortalecimento da democracia, a reconciliação e uma paz duradoura.

No encerramento, a CNBB pede que “o Espírito Santo continue a sustentar a missão profética da Igreja na Venezuela, concedendo serenidade, sabedoria e fortaleza a todos e conduzindo o povo venezuelano pelos caminhos da unidade e da esperança”.

Entenda o caso

No último sábado (3), explosões foram registradas em diversos bairros de Caracas durante uma ofensiva militar organizada pelos Estados Unidos. Na ação, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.

A operação representa mais um episódio de intervenção direta dos EUA na América Latina. A última invasão semelhante havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando militares dos EUA prenderam o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.

Assim como aconteceu com Noriega, Washington acusa Maduro de chefiar o suposto cartel De Los Soles, sem apresentar provas — alegação questionada por especialistas em tráfico internacional de drogas. O governo de Donald Trump oferecia recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.

Críticos da ação afirmam que a ofensiva tem motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de parceiros como China e Rússia e garantir maior controle sobre o petróleo do país, que possui as maiores reservas comprovadas do mundo.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.