Relator da CPI diz que classificar facções como terrorismo pode travar investigações

Rafael Ramos
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Brasília, 7 nov. 2025 – O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que enquadrar facções criminosas como organizações terroristas pode comprometer inquéritos já em curso. Segundo ele, a mudança deslocaria processos da Justiça estadual para a federal, o que “significaria descartar anos de trabalho acumulado por equipes especializadas”.

O senador, delegado licenciado da Polícia Civil há duas décadas, concedeu entrevista à Agência Brasil nesta sexta-feira (7). Vieira reconhece a possibilidade de ampliar penas e endurecer o regime de cumprimento para líderes de facções, mas alerta que isso deve ser feito sem desestruturar a investigação.

Papel das Forças Armadas

Vieira defendeu atuação das Forças Armadas no controle de fronteiras, mas questionou a eficácia de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas urbanas. Para o parlamentar, essas ações produzem “resultados mínimos e temporários”.

Financiamento da segurança

O relator sugeriu a possibilidade de excepcionar despesas de segurança pública das atuais regras fiscais. “Um país que gasta R$ 5 bilhões para financiar eleições tem recursos para proteger a vida do cidadão”, afirmou, sinalizando que a CPI pretende reunir dados que embasem um plano nacional de segurança com financiamento estável.

Convocação de chefes de facção

Vieira declarou ser contrário aos requerimentos que pedem a oitiva de líderes de facções presos. Para ele, conceder espaço aos criminosos não traria informações úteis e poderia fortalecer as organizações.

Operações recentes

O senador citou as operações Carbono Oculto, voltada à lavagem de dinheiro em postos de combustíveis, e Contenção, que resultou em 121 mortes no Rio de Janeiro, como ações complementares no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, é necessário combinar o estrangulamento financeiro das facções com a retomada de territórios controlados pelos criminosos.

Vieira acrescentou que a CPI também investigará a infiltração de organizações criminosas em setores da economia formal, especialmente no mercado de combustíveis, e avaliará propostas legislativas para dificultar a lavagem de dinheiro.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.