Brasília, 7 nov. 2025 – O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que enquadrar facções criminosas como organizações terroristas pode comprometer inquéritos já em curso. Segundo ele, a mudança deslocaria processos da Justiça estadual para a federal, o que “significaria descartar anos de trabalho acumulado por equipes especializadas”.
O senador, delegado licenciado da Polícia Civil há duas décadas, concedeu entrevista à Agência Brasil nesta sexta-feira (7). Vieira reconhece a possibilidade de ampliar penas e endurecer o regime de cumprimento para líderes de facções, mas alerta que isso deve ser feito sem desestruturar a investigação.
Papel das Forças Armadas
Vieira defendeu atuação das Forças Armadas no controle de fronteiras, mas questionou a eficácia de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas urbanas. Para o parlamentar, essas ações produzem “resultados mínimos e temporários”.
Financiamento da segurança
O relator sugeriu a possibilidade de excepcionar despesas de segurança pública das atuais regras fiscais. “Um país que gasta R$ 5 bilhões para financiar eleições tem recursos para proteger a vida do cidadão”, afirmou, sinalizando que a CPI pretende reunir dados que embasem um plano nacional de segurança com financiamento estável.
Convocação de chefes de facção
Vieira declarou ser contrário aos requerimentos que pedem a oitiva de líderes de facções presos. Para ele, conceder espaço aos criminosos não traria informações úteis e poderia fortalecer as organizações.
Operações recentes
O senador citou as operações Carbono Oculto, voltada à lavagem de dinheiro em postos de combustíveis, e Contenção, que resultou em 121 mortes no Rio de Janeiro, como ações complementares no enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, é necessário combinar o estrangulamento financeiro das facções com a retomada de territórios controlados pelos criminosos.
Vieira acrescentou que a CPI também investigará a infiltração de organizações criminosas em setores da economia formal, especialmente no mercado de combustíveis, e avaliará propostas legislativas para dificultar a lavagem de dinheiro.
Fonte: Agência Brasil
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