Cientistas debatem novo tipo de diabetes que afeta milhões no mundo

Rafael Ramos
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Uma nova categoria da doença, o diabetes tipo 5, divide especialistas globais. O caso de uma jovem africana acende o alerta sobre diagnósticos negligenciados.

Recentemente, a discussão sobre uma nova categoria de diabetes, chamada diabetes tipo 5, ganhou destaque entre cientistas e médicos. Noella Mukumbi, uma jovem de 30 anos da República Democrática do Congo, compartilhou sua experiência após ser diagnosticada com diabetes tipo 1 em 2023. Embora o tratamento com insulina tenha sido iniciado para salvar sua vida, Mukumbi sentiu que isso a deixava em uma situação crítica.

Como cabeleireira e mãe de dois filhos, ela começou a experimentar tonturas e perdeu o equilíbrio, levando a um episódio em que caiu enquanto organizava as roupas das crianças. Três anos depois, especialistas sugeriram que ela poderia ter diabetes tipo 5, uma condição que afeta mais de 830 milhões de pessoas em todo o mundo.

O diabetes tipo 5 é considerado uma forma que pode surgir após longos períodos de desnutrição, especialmente na infância e adolescência. A Federação Internacional do Diabetes (FID) reconheceu essa nova categoria no ano passado, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não a reconhece, citando a falta de evidências suficientes para classificá-la como uma forma distinta da doença.

De acordo com alguns cientistas, o diabetes tipo 5 pode afetar até 25 milhões de pacientes e a confusão entre esse tipo e outras formas da doença pode levar a tratamentos inadequados. Meredith Hawkins, diretora do Instituto Global de Diabetes da Faculdade de Medicina Albert Einstein, enfatizou que erros de classificação são um problema sério e podem resultar em mortes devido à administração incorreta de insulina.

“Muitos dos jovens que encontramos não acordaram pela manhã”, disse Hawkins.

O diabetes tipo 1 é uma condição autoimune que impede a produção de insulina, enquanto o tipo 2 está ligado à resistência à insulina. Por outro lado, o tipo 5 pode estar associado à subnutrição crônica, que prejudica o desenvolvimento do pâncreas. Embora esses pacientes ainda possam produzir insulina, a quantidade pode ser insuficiente e, em alguns casos, o tratamento padrão pode ser prejudicial.

Mukumbi, que atualmente vive em Uganda, relatou que a dose padrão de insulina que recebeu poderia levar à hipoglicemia, uma condição potencialmente fatal. Os sintomas do diabetes tipo 5 frequentemente se assemelham aos do tipo 1, complicando o diagnóstico, especialmente em jovens que estão abaixo do peso.

Um estudo de 2023 revelou que o diabetes está aumentando entre pessoas não obesas, levando ao termo “diabetes dos magros”. Sophia Sharer, uma jornalista de Londres, é um exemplo. Ela foi diagnosticada com diabetes após exames de sangue de rotina e, apesar de ter sido tratada como tipo 2 por falta de alternativas, acredita que pode apresentar características do tipo 5. No entanto, a ausência de um exame diagnóstico reconhecido impede a confirmação de sua condição.

A falta de um método de diagnóstico claro é um dos fatores que complicam o reconhecimento internacional do diabetes tipo 5. A OMS já havia identificado uma condição semelhante em 1985, mas a retirou da classificação oficial devido à falta de consenso entre os médicos. Somente em abril de 2025, a FID reconheceu oficialmente essa nova categoria, apoiada por um estudo publicado na revista The Lancet.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.