China reafirma apoio à soberania do Brasil em meio a tensões com os EUA

Robson Alves
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A China e o Brasil devem “repelir conjuntamente os desafios externos”, declarou o chanceler chinês, Wang Yi, ao ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, durante encontro em Pequim nesta segunda-feira, 1° de junho. A afirmação foi feita em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China.

Em meio a diálogos estratégicos, os dois países concordaram em aprofundar a cooperação mútua, além de salvaguardar a paz e a estabilidade global. Ambos também destacaram a importância de defender os direitos e interesses das nações em desenvolvimento.

Como integrantes do grupo BRICS, Brasil e China estão pressionando por uma ordem mundial multipolar, com o objetivo de reduzir a influência dos Estados Unidos nas instituições financeiras e políticas internacionais.

Após a reunião entre Wang e Vieira, o USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) divulgou uma proposta para impor tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil, exceto para produtos considerados como “sujeitos às tarifas de segurança nacional”.

Esse encontro ocorreu logo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticar a decisão dos Estados Unidos de classificar duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, considerando essa ação uma interferência inadequada nos assuntos internos do Brasil.

Wang afirmou que a China “apoia o Brasil na salvaguarda de sua soberania nacional, na manutenção de sua independência e autonomia, e na busca de maior desenvolvimento”.

O comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China não fez menção direta à designação feita pelos EUA.

Durante a reunião, Wang e Vieira também realizaram uma comunicação estratégica abrangente sobre questões internacionais e regionais de interesse comum, alcançando um amplo consenso. Ambos defenderam maior segurança em um mundo que consideram turbulento.

Apesar da crescente pressão de Washington para que o Brasil limite suas relações com Pequim, os dois países têm colaborado ativamente em questões de segurança global, incluindo esforços diplomáticos relacionados ao conflito na Ucrânia.

A China se destaca como o maior parceiro comercial do Brasil, enquanto o Brasil é um dos principais exportadores de soja, carne bovina e minério de ferro para o país asiático.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.