A temporada 2026 da Fórmula 1 ainda está distante, mas as discussões sobre o próximo conjunto de regras para as unidades de potência seguem intensas. Depois de listar três pontos que, na visão da McLaren, causam apreensão nos bastidores, o chefe da equipe, Andrea Stella, revelou que um quarto item tornou-se motivo de debate: o chamado “modo reta”. O assunto também foi levado a uma reunião recente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), ampliando a lista de temas que necessitam de ajustes antes da homologação final do regulamento.
Em declarações anteriores, Stella havia citado peso total dos carros, distribuição entre potência elétrica e combustão interna e equilíbrio aerodinâmico como questões centrais a serem resolvidas. Esses tópicos voltaram à mesa durante o encontro promovido pela FIA com representantes das equipes e fornecedores de motores. No entanto, o dirigente destacou que o “modo reta” – conceito pensado para liberar mais velocidade em linha reta por meio de ajustes específicos no sistema híbrido – também gerou questionamentos técnicos e de segurança.
Segundo o chefe da McLaren, a preocupação reside no fato de que o acionamento desse recurso poderia criar discrepâncias de desempenho entre os carros, além de exigir maior gerenciamento energético em provas de longa duração. A forma de ativação, a janela de uso e o impacto sobre o fluxo de combustível estão entre as dúvidas levantadas. Ainda não há consenso sobre como inserir o dispositivo no regulamento sem comprometer o equilíbrio competitivo.
A reunião com a FIA concentrou-se em recolher feedback das equipes antes de publicar uma versão revisada das regras. Representantes de outras escuderias, ainda que não tenham externado publicamente a mesma lista de objeções da McLaren, acompanharam as discussões sobre o peso das baterias, a retirada do MGU-H e a proporção de 50% da potência proveniente do motor elétrico. Agora, o “modo reta” passa a integrar o pacote de tópicos que podem sofrer ajustes.
Enquanto isso, pilotos também manifestam interesse em eventuais mudanças. Carlos Sainz, da Ferrari, recentemente pediu que FIA e Formula One Management (FOM) “mantenham a mente aberta” para alterações se testes práticos mostrarem necessidade. O espanhol fez a observação após avaliar o comportamento do protótipo de 2026 no circuito do Bahrein, onde as equipes realizaram sessões dedicadas à coleta de dados sobre desgaste de pneus e consumo energético.
Dentro do cronograma da categoria, a FIA pretende finalizar o texto técnico das unidades de potência até o fim deste ano, para que fabricantes como Mercedes, Ferrari, Red Bull Powertrains, Renault, Honda e Audi possam iniciar o desenvolvimento definitivo. O objetivo oficial é reduzir emissões, incentivar combustível sustentável e manter o espetáculo esportivo, pontos que permanecem inalterados. Todavia, até que o debate sobre o “modo reta” e outras pendências seja concluído, dirigentes como Andrea Stella continuarão pressionando por revisões que evitem surpresas indesejadas em 2026.
As conversas devem prosseguir nos próximos meses, com novas rodadas de reuniões técnicas marcadas antes e depois dos Grandes Prêmios da Europa, período em que a maioria das equipes encontra-se na base fabril. Caso a FIA identifique consenso, uma versão definitiva poderá ser aprovada ainda no segundo semestre.
Embora nenhum prazo extraoficial tenha sido anunciado para a solução específica do “modo reta”, o tema já figura entre as prioridades da comissão técnica da entidade. Até lá, engenheiros e chefes de equipe seguem monitorando cada detalhe que possa influenciar a próxima geração de motores híbridos da Fórmula 1.
Com informações de Motorsport.uol
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