Cerca de 30% dos brasileiros demonstram desinteresse por vacinas

Claudio Vasconcelos
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Cinco anos após o início da pandemia, o Brasil ainda se mostra majoritariamente favorável às vacinas. No entanto, uma pesquisa nacional recente revela um cenário preocupante de afastamento em relação à imunização. Dos entrevistados, 72,1% declararam que apoiam as campanhas de vacinação, enquanto 27,9% afirmaram não aderir plenamente. Esse grupo inclui 9,9% que não se vacinam, 9,2% que abandonaram a imunização durante a pandemia de covid-19 e 8,8% que preferiram não responder.

Esse índice de desinteresse pode representar um risco significativo ao Programa Nacional de Imunizações, um dos pilares da saúde pública brasileira. A adesão às vacinas não é uniforme e apresenta variações de acordo com a faixa etária. Entre aqueles com 60 anos ou mais, a adesão chega a 78,3%; entre os de 45 a 59 anos, cai para 75,5%; e entre os de 35 a 44 anos, sobe para 78,1%. Nas faixas etárias mais jovens, a situação é alarmante, com apenas 62% de adesão entre pessoas de 25 a 34 anos e 62,9% entre jovens de 16 a 24 anos.

As diferenças regionais também são marcantes, com o Sudeste apresentando uma taxa de adesão de 77,2%, enquanto o Norte registra apenas 62,5%. Além disso, a orientação ideológica dos entrevistados parece ter impacto nas decisões de vacinação. Entre os que se identificam como de esquerda, 80% apoiam a vacinação, em contraste com 63% dos que se identificam como de direita. A religião também desempenha um papel, com católicos mostrando uma adesão de 75,6%, comparado a 66% entre evangélicos.

“Os dados revelam que o enfraquecimento da vacinação ocorre em grupos com menor percepção de risco, mais suscetíveis à desinformação e em regiões com maiores desafios estruturais”, destaca Pedro Arantes, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do levantamento.

No que diz respeito à vacina contra a dengue, a situação é similar. Embora cerca de 70% dos entrevistados demonstrem uma atitude favorável, apenas 56,7% pretendem se vacinar imediatamente. Outros 13,7% consideram a vacina importante, mas não prioritária, enquanto 10,5% expressam indiferença, 8,1% têm incertezas e 6,7% mostram desinteresse, além de uma minoria de 4,8% que rejeita a vacina.

O padrão ideológico se repete nesse caso, com 65% dos entrevistados de esquerda pretendendo se vacinar imediatamente contra a dengue, enquanto apenas 46,2% dos de direita têm a mesma intenção. Para Arantes, esses dados indicam uma mudança gradual no comportamento da população. “O Brasil continua confiando nas vacinas, mas uma parcela crescente deixou de se vacinar”, afirma.

A pesquisa também revela mudanças na percepção da pandemia, com a memória coletiva sobre a covid-19 diminuindo. O percentual de brasileiros que acredita que uma ação diferente do governo federal poderia ter reduzido o número de mortes caiu de 62% em 2023 para 40,5% em 2026. Além disso, a polarização política é evidente, com 63,5% dos eleitores de Lula acreditando que o governo Bolsonaro errou na condução da pandemia, enquanto apenas 20,8% dos eleitores de Bolsonaro compartilham dessa visão.

Os pesquisadores apontam que a percepção de risco e a memória da pandemia estão interligadas com a adesão às vacinas. A redução da percepção de risco e o desgaste da memória coletiva ajudam a explicar o afastamento de parte da população da vacinação.

A pesquisa “Memória, justiça e reparação da pandemia de covid-19 e atual adesão às vacinas” foi realizada pelo Instituto Idea, com a coordenação do Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Foram entrevistadas 1.500 pessoas em março deste ano, com uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.