CEOs de tecnologia vinculam demissões em massa ao avanço da inteligência artificial

William Kevim
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Executivos de grandes empresas de tecnologia têm atribuído recentes cortes de pessoal ao avanço das ferramentas de inteligência artificial (IA) e aos crescentes investimentos necessários na área, segundo relatos da imprensa. Gigantes como Google, Amazon, Meta e Microsoft, além de companhias menores como Pinterest e Atlassian, anunciaram ou sinalizaram reduções de quadro nas últimas semanas, justificando parte das decisões pela capacidade das novas tecnologias fazerem mais com menos pessoas.

O chefe da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou em janeiro que “Acho que 2026 será o ano em que a IA começará a mudar dramaticamente a maneira como trabalhamos”. Desde então, a empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp promoveu cortes que somam centenas de funcionários — entre eles, 700 demitidos apenas na última semana. A Meta informou que pretende quase dobrar os gastos com IA neste ano e mantém contratações em “áreas prioritárias”, mas várias fontes afirmam que há congelamento de vagas em diversas áreas e que novos cortes são esperados nos próximos meses.

Jack Dorsey, líder da empresa de serviços financeiros Block, foi mais explícito ao justificar a decisão de reduzir quase pela metade sua força de trabalho. “Isso não se trata apenas de eficiência”, disse ele aos acionistas ao anunciar as demissões, acrescentando que ferramentas de inteligência têm alterado o modo de construir e gerir empresas e que equipes menores, usando essas ferramentas, podem produzir mais e com qualidade superior. Dorsey afirmou ainda ter querido “se antecipar a isso” e previu que a maioria das empresas deverá chegar a conclusões semelhantes dentro de um ano.

Críticas apontam que Dorsey já conduziu rodadas de demissões anteriores sem invocar a IA, e investidores observam que culpar a tecnologia pode soar melhor do que admitir cortes por pressão de custos ou para agradar acionistas. O investidor Terrence Rohan afirmou que “Apontar para a IA rende um post de blog melhor” e que a narrativa também reduz a imagem do executivo como alguém que apenas busca reduzir pessoal por lucro. Rohan mencionou ainda que algumas empresas nas quais investe já usam entre 25% e 75% de código gerado por IA, o que evidencia uma ameaça real para cargos como desenvolvedor e programador.

Consultores de mercado também veem ganho de produtividade. Anne Hoecker, sócia da Bain que lidera a área de tecnologia, disse que líderes estão percebendo que as ferramentas de IA “são suficientemente boas para realmente permitir fazer a mesma quantidade de trabalho com fundamentalmente menos pessoas”.

Além do impacto operacional, a pressão para financiar investimentos em IA tem levado empresas a cortar custos em folha de pagamento. Amazon, Meta, Google e Microsoft planejam, em conjunto, investir US$ 650 bilhões (cerca de R$ 3,4 trilhões) em IA no próximo ano, segundo levantamento citado pela imprensa. A Amazon disse que pretende destinar US$ 200 bilhões (mais de R$ 1 trilhão) para esses investimentos e afirmou que continuará “trabalhando muito para compensar isso com eficiências e reduções de custos” em outras áreas; desde outubro, a empresa já demitiu cerca de 30 mil funcionários corporativos.

O Google, que dispensou 12 mil pessoas em 2023 e promoveu cortes menores desde então, também afirmou que liberar capital internamente para investir em IA é prioridade. A diretora financeira Anat Ashkenazi declarou que “Quanto mais capital pudermos liberar dentro da organização para investir, melhor podemos girar essa engrenagem de investimentos que impulsionam o crescimento futuro”.

Analistas afirmam que demissões podem servir tanto para capturar ganhos de produtividade impulsionados por IA quanto para sinalizar disciplina aos investidores diante do alto custo de desenvolvimento dessas tecnologias. “Talvez demitir pessoas não vá fazer muita diferença nessa conta, mas ao criar um pouco de fluxo de caixa, ajuda”, disse Anne Hoecker.

As empresas seguem combinando investimentos robustos em IA com ajustes em suas estruturas de pessoal, enquanto observadores do setor acompanham se a adoção dessas ferramentas resultará em mudanças duradouras na composição das equipes de tecnologia.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.