O fundador e presidente global do Nubank, David Vélez, afirmou que alguns colaboradores “confundiram um canal corporativo com rede social ou arquibancada de estádio”. A declaração foi publicada no LinkedIn em resposta a um ex-funcionário e ocorre em meio às críticas pela demissão por justa causa de 14 pessoas desde a semana passada.
Mudança no trabalho e demissões
Doze dos desligamentos aconteceram após uma live interna, realizada em 7 de julho, na qual Vélez anunciou o fim do home office e a adoção do modelo híbrido. A medida atinge cerca de 7.000 empregados e prevê um período de transição de oito meses. Segundo o banco, alguns comentários feitos no chat da transmissão ultrapassaram limites de respeito; os trabalhadores alegam ter apenas manifestado descontentamento.
Outros dois funcionários foram desligados sob suspeita de planejar a sabotagem de sistemas internos, conforme comunicado enviado à equipe.
Resposta a ex-funcionário e atuação do sindicato
O comentário de Vélez foi direcionado a Rafael Calsaverini, ex-analista do Nubank. Ele havia reagido a uma publicação da presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, que tenta marcar uma reunião emergencial com a direção do banco para discutir as demissões.
Calsaverini escreveu que o Nubank “cultivou por anos” a prática de confrontar a gestão e citou casos anteriores de mensagens mais agressivas que não geraram demissão. O ex-funcionário também mencionou advertências coletivas motivadas por um meme interpretado como ofensivo. Vélez retrucou, dizendo que Calsaverini “tem pouca informação sobre o caso” e que ninguém aceitaria esse comportamento “em sua própria casa”.
Posicionamento oficial
Em nota, o Nubank declarou não comentar casos individuais de desligamento. “Trabalhamos para preservar canais abertos para o livre debate entre os funcionários, mas não toleramos desrespeito e violações de conduta”, afirmou a fintech.
Estrutura e exceções ao híbrido
O Nubank informou que expandirá sua estrutura atual — que inclui escritórios em São Paulo (Pinheiros e Vila Leopoldina), Cidade do México e Bogotá — e planeja novas unidades em Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Buenos Aires e nas regiões de Washington, Miami e Palo Alto, nos Estados Unidos.
Algumas áreas permanecerão totalmente remotas devido à natureza do trabalho:
- Xpeers (atendimento ao cliente)
- Investor help (investimentos)
- Ouvidoria
- Data labeling
- Financial crime investigation
- Regulatory solutions
- Talent acquisition
Empregados poderão solicitar exceções pessoais — por exemplo, por motivos de saúde — que serão analisadas individualmente. A elegibilidade levará em conta senioridade, desempenho e distância do escritório, mas a companhia ressalta que tais exceções serão raras.
Vélez, que atualmente reside no Uruguai, afirmou que se mudará para um país onde o banco possua escritório a fim de acompanhar a transição.
Fonte: Notícias ao Minuto
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