Celso Amorim acusa Trump de usar tarifas para pressionar o Brasil

Claudio Vasconcelos
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Em comissão da Câmara, o assessor da Presidência afirmou que medidas dos EUA têm motivação política. Parlamentares da oposição contestaram a avaliação sobre a relação bilateral.

Nesta quarta-feira (12), deputados da oposição e o assessor especial da presidência da República, embaixador Celso Amorim, divergiram em uma comissão na Câmara dos Deputados sobre as tensões recentes nas relações entre Brasil e Estados Unidos (EUA).

Amorim defendeu que as ações dos EUA contra o Brasil, como a recente implementação de tarifas, possuem motivação política. Segundo ele, a administração Trump busca subordinar a América Latina aos interesses norte-americanos.

“O presidente Lula tem sido firme em reiterar que não aceitaremos que medidas unilaterais sejam utilizadas como pretexto para relativizar a soberania nacional ou impor constrangimentos econômicos para o nosso país”, destacou.

O embaixador ainda mencionou um vídeo divulgado pela diplomacia dos EUA, onde se afirma que a dominação americana sobre a América Latina não deve ser questionada.

“Quem tiver visto o vídeo que foi divulgado ontem pelo Departamento de Estado, verá que o que se quer fazer é relativizar a soberania dos países latino-americanos em geral. Inclusive, naturalmente, o Brasil”, completou.

Do outro lado, parlamentares da oposição tentaram responsabilizar o governo brasileiro pelas ações de Trump. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), argumentou que a atual postura do Brics representa um padrão sistemático de anti-americanismo.

“A atual conversão do Brics em uma linha de frente anti-ocidental demonstra um padrão sistemático de anti-americanismo”, afirmou o parlamentar.

O Brics é um grupo que inclui grandes países emergentes como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Seus membros frequentemente negam serem anti-ocidentais, citando a relação próxima da Índia com os EUA.

O deputado Luiz Philippe também pediu que o governo brasileiro “destrave” a concessão do visto diplomático ao indicado pela Casa Branca para o cargo de embaixador no Brasil, Daniel Pérez. A demora fez com que os EUA cancelassem o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

O deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS) argumentou que houve uma “agressão à soberania dos EUA” por parte do Brasil, citando o bloqueio de contas de empresas norte-americanas.

“O que nós estamos vendo é uma agressão brasileira à soberania americana. Dizer que o tarifaço não tem relação com o que o Brasil está fazendo com os EUA é maquiar os fatos”, disse.

Amorim rebateu a ideia de que os atritos com a Casa Branca teriam razões ideológicas, afirmando que o Brasil está aberto a negociações com qualquer governo, independentemente de suas posições políticas.

O embaixador também mencionou que o governo federal decidiu não conceder vistos diplomáticos a representantes estrangeiros até as eleições de outubro. Ele considerou “bizarra” a divulgação do nome do indicado para embaixador antes da aceitação do pedido pelo Itamaraty.

“Os EUA ficaram mais de um ano e meio sem embaixador aqui… De repente, na proximidade das eleições, querem creditar outro embaixador”, comentou.

Para o governo brasileiro, há uma tentativa de Trump de interferir nas eleições brasileiras.

Amorim também foi convidado a comentar a decisão dos EUA de classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas. Ele explicou que essa classificação pode ser um pretexto para intervenções externas, incluindo militares.

“Não se pode ignorar que determinadas interpretações extremas da classificação como terrorista já foram utilizadas para justificar operações de força em outros contextos internacionais”, afirmou.

O embaixador alertou que essa designação pode trazer prejuízos econômicos ao Brasil e reiterou o compromisso do governo em combater o crime organizado.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.