Casa Branca reafirma Doutrina Monroe e promete conter influência de potências externas na América Latina

Robson Alves
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O governo dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (5) a nova Estratégia de Segurança Nacional, na qual anuncia a retomada da Doutrina Monroe e a intenção de manter a “proeminência” de Washington em todo o Hemisfério Ocidental.

Documento estabelece “Corolário Trump”

Segundo o texto da Casa Branca, a administração Donald Trump aplicará um “Corolário Trump” à doutrina criada em 1823, reforçando que “a América é para os americanos” e que nenhuma potência de fora do hemisfério deverá controlar ativos estratégicos ou posicionar forças militares na região.

Entre as metas elencadas estão:

  • estabelecer ou ampliar acesso dos EUA a pontos considerados estratégicos;
  • impedir que empresas estrangeiras construam infraestrutura crítica na América Latina;
  • condicionar alianças regionais à redução da influência de atores externos.

Recado direcionado à China

Para o professor de Relações Internacionais do Ibmec São Paulo, Alexandre Pires, a iniciativa é uma resposta direta ao avanço econômico da China na América Latina. Ele cita pressões sobre o Panamá para rever contratos com empresas chinesas, manobras militares no Caribe voltadas à Venezuela e negociações com a Dinamarca sobre a Groenlândia como parte desse movimento.

Suporte a governos alinhados

O documento afirma que Washington “recompensará e incentivará” governos, partidos e movimentos que compartilhem seus princípios. Mesmo países com visões distintas, desde que dispostos a cooperar, não serão ignorados.

A Casa Branca também aponta que alegadas “incursões” de competidores externos prejudicaram a economia norte-americana nas últimas décadas e promete reação “séria” a novas tentativas.

Impacto sobre a soberania regional

Na avaliação de Pires, a estratégia pode restringir a capacidade de países latino-americanos firmarem acordos autônomos com potências de fora do hemisfério. Se, por exemplo, Peru ou Chile fecharem contratos de minerais com Pequim que afetem interesses de Washington, os EUA poderiam recorrer a tarifas, medidas geopolíticas ou, no limite, ações militares.

Prioridade para empresas dos EUA

A política determina que diplomatas norte-americanos atuem para favorecer companhias do país. Para nações mais dependentes de Washington, os acordos deverão, sempre que possível, garantir fornecimento exclusivo a empresas estadunidenses.

Além da diplomacia comercial baseada em tarifas e tratados recíprocos, o plano prevê fortalecer parcerias de segurança por meio de vendas de armas, compartilhamento de informações e exercícios conjuntos.

Com a retomada explícita da Doutrina Monroe, a Casa Branca sinaliza que a disputa por influência na América Latina seguirá como ponto central da agenda externa dos Estados Unidos.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.