Câmara Legislativa do DF convoca presidente do BRB e secretário adjunto por ausência em audiência sobre rombo

Portal de Notícias Foco SE
4 Min Leitura

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou a convocação do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, e do secretário adjunto de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaías de Carvalho, após a ausência dos dois em audiência pública marcada para esta terça-feira, 7 de abril.

Nelson Antônio de Souza e Daniel Izaías haviam sido chamados inicialmente por convite para prestar esclarecimentos sobre a situação financeira do BRB, em especial a operação malsucedida de aquisição do Banco Master e as medidas de governança adotadas pela instituição. Ambos afirmaram publicamente que compareceriam espontaneamente à sessão, compromisso que não foi cumprido.

Ao iniciar a sessão da CCJ, o presidente da comissão, deputado distrital Thiago Manzoni (PL), recordou que o comparecimento havia sido tratado como compromisso público e que, diante da falta, a comissão transformou o convite em convocação para garantir a presença dos responsáveis.

“A ausência dos convidados, especialmente diante da gravidade dos fatos, não é apenas um desrespeito a esta comissão. É, sobretudo, um desrespeito ao cidadão do DF, que tem o direito de saber o que está acontecendo com o BRB, uma instituição financeira pública que movimenta bilhões de reais e que desempenha papel central na economia do DF”, disse Manzoni.

O deputado Fábio Félix (PSOL) também criticou a ausência e voltou a cobrar transparência do banco e do governo do Distrito Federal. Segundo ele, diversos requerimentos de informação encaminhados pelos gabinetes da Casa têm recebido respostas negativas do BRB, sob argumento de sigilo, o que impede o acesso a documentos considerados essenciais para avaliar a real situação da instituição.

“Não só meu gabinete, mas todos os gabinetes desta Casa têm feito uma série de requerimentos de informação para ter acesso a documentos. A resposta do BRB tem sido desrespeitosa com a Câmara Legislativa. É sempre um ‘não’ taxativo, com base em argumentos de sigilo, dizendo que essas informações não podem ser prestadas a ninguém”, afirmou Félix.

Félix ressaltou que, sem as informações solicitadas, os parlamentares não têm como apurar a extensão dos problemas e que a responsabilidade política recai sobre o governo do DF, controlador do banco. Ele afirmou ainda que o ex-governador Ibaneis Rocha foi quem atuou politicamente para que dois projetos de lei em favor da operação fossem aprovados com rapidez.

No âmbito federal, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Crime Organizado também aprovou a convocação — após falta — do ex-governador Ibaneis Rocha, que era esperado para depor sobre as negociações do BRB para a compra do Banco Master, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.

Contexto

O BRB enfrenta crise de liquidez e perda de confiança após prejuízos ligados à aquisição de carteiras de crédito e ativos de baixa liquidez negociados pelo Banco Master. A Polícia Federal investiga suspeitas de fraude na compra de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos vinculados ao negócio, medida que contribuiu para os problemas financeiros enfrentados pela instituição.

A convocação aprovada pela CCJ visa obter esclarecimentos formais sobre essas questões e assegurar a prestação de contas aos representantes do Distrito Federal.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Conta institucional do Foco SE. Assina as matérias produzidas ou editadas pela equipe do portal, quando não há assinatura individual. Correções, complementações e pedidos de direito de resposta podem ser enviados para contato@focose.com.br e são publicados com o mesmo destaque da matéria original, nos termos da Lei nº 13.188/2015.