Brasil vê política eleitoral dos EUA por trás das tarifas de 25%

Robson Alves
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Negociadores brasileiros acreditam que Washington usa tarifas como peça em jogo eleitoral. Acordo comercial está na mesa como alternativa às sobretaxas.

Em meio às negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil, os negociadores brasileiros têm atuado com a percepção de que essas medidas foram politizadas, levando em conta o contexto eleitoral no qual a Casa Branca demonstra interesse nos resultados do pleito presidencial de outubro de 2026, aqui no Brasil.

Ambos os governos continuam a dialogar sobre um potencial acordo comercial. O Brasil busca convencer os EUA de que um acordo seria mais benéfico para ambos os países do que as tarifas adicionais de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

O governo brasileiro se manifestou sobre o tarifaço, com o perfil do Itamaraty no X, afirmando que a medida “tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. O Ministério das Relações Exteriores também comunicou que o Brasil está utilizando os canais oficiais de comunicação para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.

O prazo para decidir sobre a aplicação das tarifas é 15 de julho. Até essa data, o governo brasileiro tem uma agenda de reuniões com representantes da Casa Branca e acredita que, apesar das dificuldades, é possível alcançar um acordo com os estadunidenses.

É importante notar que existe uma percepção de que o governo de Donald Trump pode evitar um acordo que favoreça o Brasil, especialmente considerando a proximidade das eleições presidenciais no país. Assim, a negociação não seria apenas comercial, uma vez que os EUA já possuem superávit com o Brasil. A discussão se insere na nova política de segurança nacional de Trump, que busca reforçar a presença dos EUA na América Latina.

A nova política de segurança nacional, divulgada em dezembro de 2025, destaca que os EUA devem buscar a “proeminência” na América Latina, afastando influências externas, como as da China.

Nesta semana, Trump compartilhou um artigo que considera a eleição no Brasil como um dos “grandes testes” para os EUA na América Latina. O texto sugere que a saída do “esquerdista” Luiz Inácio Lula da Silva beneficiaria os interesses da Casa Branca.

A recomendação da USTR para taxar o Brasil é resultado de uma investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Os EUA alegam que o Brasil pratica ações “desleais” nas relações comerciais, incluindo ataques ao sistema de pagamentos Pix para favorecer empresas norte-americanas.

O governo brasileiro rebatizou os argumentos como ilegítimos, afirmando que as tarifas são uma tentativa de ingerência em assuntos internos e refletem o protecionismo unilateral de Washington.

Além disso, o governo questiona as tarifas adicionais, ressaltando que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de apenas 2,7%, o que não justificaria a alegação de que as empresas norte-americanas estão sendo prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.