Brasil negocia com EUA para escapar de tarifa de 25% nas importações

Claudio Vasconcelos
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O governo brasileiro tenta fechar acordo com Washington para evitar sobretaxa que ameaça produtos nacionais. Negociações avançam com foco em benefícios mútuos entre os dois países.

O governo brasileiro está em negociações com os Estados Unidos (EUA) para estabelecer um acordo tarifário que possa evitar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre algumas importações do Brasil. Essa recomendação foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e é resultado de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil.

O governo acredita que, embora o desafio seja significativo, é possível chegar a um acordo que traga benefícios para ambos os países, especialmente considerando que os EUA possuem um superávit comercial em relação ao Brasil. A USTR tornou pública sua recomendação na última semana, alegando que o Brasil estaria adotando práticas desleais nas relações comerciais, citando, entre outras questões, ações contra o sistema de pagamentos Pix para favorecer empresas americanas.

“Os argumentos apresentados não são legítimos e refletem uma tentativa de ingerência em nossos assuntos internos”, afirmou o governo brasileiro.

O Brasil ressalta que a tarifa média aplicada pelo país sobre as importações dos EUA é de apenas 2,7%, contestando assim a ideia de que as empresas norte-americanas enfrentariam dificuldades para acessar o mercado brasileiro.

Um novo prazo foi estabelecido: o governo brasileiro agora trabalha para fechar um acordo até 15 de julho, data fixada pela USTR para uma definição sobre a questão. Apesar de esse prazo poder ser prorrogado, os negociadores brasileiros esperam um desfecho antes disso, já que o prazo inicial de 30 dias, que começou após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, se encerraria neste domingo.

Entre os desafios das negociações está o envolvimento dos EUA em diversas outras discussões tarifárias ao redor do mundo, além do conflito no Oriente Médio. O Brasil também avalia a possibilidade de um novo encontro entre Lula e Trump durante o G7, que ocorrerá na França entre os dias 15 e 17 de junho, mas ainda não há confirmação de um encontro bilateral.

As negociações têm se mostrado complexas, uma vez que os EUA costumam fazer demandas extensas, envolvendo diversas reivindicações em várias áreas. Contudo, o Brasil está focado em tratar apenas de questões tarifárias e comerciais, excluindo pautas que possam ser de interesse americano, como o tema das terras raras. O governo também deixou claro que o Pix não será um tópico de negociação com Washington.

Outra questão que complica o cenário é a taxação adicional de 10% ou 12,5% que foi imposta a 60 países, justificada pela falta de combate efetivo ao trabalho análogo à escravidão. Para o Brasil, essa taxação parece ter sido elaborada de forma a não permitir negociações, sendo vista como uma tentativa de restaurar tarifas anteriores que haviam sido derrubadas pela Suprema Corte dos EUA.

A nova taxa impacta não apenas o Brasil, mas também aliados tradicionais dos EUA, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, que sob a presidência de Javier Milei tem se alinhado com Trump nas questões internacionais.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.