Brasil lança pacote de R$ 18,5 bi para blindar empresas do tarifaço dos EUA

Robson Alves
6 Min Leitura

No mesmo dia em que os EUA impuseram tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros, o governo federal anunciou o Plano Brasil Soberano 3. O programa oferece crédito subsidiado a exportadores e setores estratégicos atingidos pela medida americana.

No dia da implementação do novo tarifaço dos Estados Unidos, o governo federal revelou um pacote de apoio direcionado às empresas brasileiras. Denominado Plano Brasil Soberano 3, essa iniciativa destina R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.

O programa também visa beneficiar empresas que enfrentam dificuldades devido a conflitos internacionais. O anúncio ocorreu simultaneamente à entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre uma parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deverá impactar cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, correspondente a US$ 5,8 bilhões em exportações.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) e um projeto de lei de conversão. A nova MP possibilitará a ampliação do Plano Brasil Soberano, autorizando o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com os recursos próprios do BNDES para financiar as novas linhas de crédito.

Nesta quarta-feira, Lula também sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7, que originou a Medida Provisória 1.345, de março deste ano, responsável pela instituição das linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano.

A proposta foi ampliada pelo Congresso para incluir não apenas os exportadores de bens industriais e seus fornecedores, mas também setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.

Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, os recursos serão alocados entre o Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES):

R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional

R$ 5 bilhões do BNDES

As linhas de crédito poderão ser utilizadas para:

  • capital de giro
  • aquisição de máquinas e equipamentos
  • investimentos produtivos
  • inovação tecnológica
  • adaptação de produtos e processos
  • abertura e prospecção de novos mercados

As taxas de financiamento variam de acordo com a finalidade do crédito, podendo chegar a 3% ao ano para projetos relacionados a minerais críticos e 9,80% ao ano para capital de giro destinado a grandes empresas.

Além das empresas diretamente impactadas pelo tarifaço norte-americano, o programa também incluirá exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico, ampliando o acesso ao crédito para setores estratégicos.

Os beneficiários incluirão:

  • agricultura
  • pecuária
  • florestas plantadas
  • pesca e aquicultura
  • cooperativas e associações do setor
  • mineração
  • fertilizantes
  • indústria química
  • farmacêutica
  • setor têxtil
  • automotivo
  • máquinas e equipamentos
  • materiais elétricos e eletrônicos

A legislação também permite que os recursos sejam utilizados para adequações exigidas pelo comércio internacional, como requisitos sanitários, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.

Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o programa vai além da oferta de crédito.

Alckmin afirmou que o Brasil Soberano 3 não só garante crédito, mas também oferece um seguro garantia para pequenas empresas.

De acordo com o governo, o plano de aplicação dos recursos será elaborado pelo BNDES e submetido à aprovação de um conselho interministerial, que definirá as prioridades de financiamento com base nos impactos enfrentados por cada setor.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, mencionou que os segmentos mais prejudicados pelas tarifas norte-americanas incluem madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.

Ele acrescentou que o programa também tem como objetivo atender empresas afetadas por novas medidas protecionistas que estão sendo estudadas pelos Estados Unidos.

Além disso, o governo brasileiro continua buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos, mantendo diálogos com representantes da Casa Branca até os últimos dias antes da implementação das novas tarifas.

O histórico do Plano Brasil Soberano remonta a 2025, quando foi criado para apoiar empresas exportadoras em face das primeiras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. As três etapas do programa somam:

Agosto de 2025: Brasil Soberano 1: R$ 30 bilhões

Março de 2026: Brasil Soberano 2: R$ 21 bilhões

Julho de 2026: Brasil Soberano 3: R$ 18,5 bilhões

Com essa nova etapa, o governo busca ampliar os instrumentos de financiamento para empresas exportadoras e setores estratégicos, ao mesmo tempo em que visa minimizar os impactos das barreiras comerciais e preservar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.