Brasil e Rússia reforçam cooperação nuclear, comercial e tecnológica em fórum no Itamaraty

Robson Alves
4 Min Leitura

O vice-presidente Geraldo Alckmin e o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, comandaram nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília. Ao término do encontro, os dois dirigentes assinaram declaração conjunta que defende o uso pacífico da energia nuclear e traça novas metas para ampliar o intercâmbio econômico entre os países.

Energia nuclear e radioisótopos

No documento, Brasil e Rússia afirmam interesse em expandir a produção e a oferta de radioisótopos destinados à área de saúde, além de desenvolver projetos na geração de energia atômica e no ciclo do combustível nuclear. O texto também prevê a atualização do arcabouço jurídico que regula a cooperação bilateral nesse campo.

Diversificação de parcerias

Alckmin e Mishustin destacaram outras frentes de colaboração. Entre elas estão indústria farmacêutica, equipamentos médico-hospitalares, construção naval, tecnologias industriais digitais e segurança cibernética. O premiê russo mencionou, ainda, transferência de tecnologia para medicamentos inovadores voltados a câncer e diabetes, bem como o interesse em estreitar laços entre órgãos reguladores dos dois países.

Defesa do multilateralismo

A declaração endossada pelos governos critica “medidas coercitivas unilaterais”, classificadas como ilegítimas e contrárias ao direito internacional, sem apontar diretamente para qualquer nação. Segundo o texto, sanções desse tipo violam direitos humanos, comprometem o desenvolvimento sustentável e ferem a soberania dos Estados. Em nota paralela do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a urgência de fortalecer o multilateralismo e de criar mecanismos de acompanhamento para garantir resultados concretos nas iniciativas bilaterais.

Comércio de US$ 11 bilhões e foco além do agro

O intercâmbio comercial somou cerca de US$ 11 bilhões em 2025, com saldo favorável à Rússia. Alckmin reconheceu que o fluxo é concentrado em produtos primários, mas afirmou que existe potencial para ampliar a participação de bens industrializados e de alto valor agregado. O vice-presidente lembrou que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, enquanto a Rússia fornece insumos estratégicos para o agronegócio, cenário que, segundo ele, contribui para a segurança alimentar global.

Mishustin observou que o mercado brasileiro responde por mais da metade das exportações russas destinadas à América Latina e ocupa lugar entre os cinco principais fornecedores externos do Brasil. Para o chefe de governo, a tarefa agora é diversificar a pauta com itens de maior sofisticação, envolvendo setores como química, petróleo e gás, exploração espacial e inteligência artificial.

raf1865 1

Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci

Ambiente favorável a negócios

Ao dirigir-se a empresários presentes ao fórum, Alckmin, que também ministra o Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, prometeu previsibilidade regulatória e segurança jurídica. Mishustin, por sua vez, avaliou que há “todas as oportunidades” para resultados práticos de longo prazo, salientando a importância de contatos diretos entre companhias brasileiras e russas.





O encontro ocorreu no mesmo dia em que expirou o tratado New Start, acordo que limitava ogivas nucleares de Estados Unidos e Rússia, realçando a relevância dos debates sobre energia atômica e governança global apresentados no fórum.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.