Brasil deve exportar 49 mi de sacas de café na safra 2026/27, aponta USDA

Claudio Vasconcelos
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Safra recorde acima de 70 milhões de sacas impulsiona crescimento de 30% nas exportações brasileiras. Mesmo com alta projeção, estoques baixos ainda freiam resultados maiores.

As exportações de café do Brasil devem alcançar 49 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2026/27, conforme divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em 3 de junho de 2026.

O relatório aponta que esse crescimento de 30% em relação à safra 2025/26 será impulsionado por uma previsão de safra recorde, que deve superar 70 milhões de sacas. Apesar do aumento nas vendas externas, o USDA destaca que os baixos estoques atuais estão limitando um volume ainda maior de exportação, com uma queda nos números de exportação no início de 2026 quando comparados ao ano anterior.

Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de café, o que representa uma redução de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa diminuição é atribuída aos baixos estoques domésticos, originados de uma produção limitada nos ciclos recentes e uma forte demanda externa. No entanto, abril de 2026 marcou um ponto positivo, sendo o primeiro mês do ano a superar os números de exportação de 2025.

O USDA também menciona que a aprovação provisória do acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode proporcionar um impulso adicional às exportações brasileiras de café. O comércio regional deve ser beneficiado, visto que os grãos de café verde já entram na Europa sem tarifas. Atualmente, o bloco aplica uma tributação de 9% sobre o café solúvel e de 7,5% sobre o café torrado e moído.

O Vietnã, que é o principal concorrente do Brasil no mercado de café solúvel, já realiza exportações para a Europa sem tarifas. O acordo UE-Mercosul poderá aumentar a competitividade do café solúvel brasileiro na Europa, uma vez que as tarifas deverão ser eliminadas dentro de quatro anos.

Entretanto, o USDA alerta que o câmbio pode representar um desafio para as exportações brasileiras. Nos últimos meses, o real se valorizou, alcançando R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024. Uma taxa de câmbio mais baixa poderia aliviar a pressão inflacionária interna, mas também reduziria as margens dos exportadores, o que diminuiria o incentivo para a venda de estoques.

A previsão do Departamento de Agricultura para os estoques finais de café na safra 2026/25 é de 4,4 milhões de sacas, enquanto as reservas para o ciclo 2025/26 são estimadas em 3,8 milhões de sacas. O USDA acredita que a perspectiva para o segundo semestre é mais otimista, graças à próxima safra brasileira de 2026/27.

O relatório ressalta, no entanto, que a disponibilidade de café arábica no curto prazo é baixa, sustentando as vendas imediatas. Além disso, a possível consolidação do fenômeno El Niño está gerando preocupações, levando os produtores a restringirem as vendas e priorizarem os estoques.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.