Brasil chama de injustas tarifas dos EUA em reunião de cúpula

Robson Alves
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Na véspera do prazo para Trump decidir sobre sobretaxas, o Brasil foi direto: as tarifas americanas são injustas. O encontro foi o quinto entre os dois países desde 7 de abril.

O governo brasileiro classificou como “injusta” a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Essa declaração ocorreu durante uma reunião de alto nível, realizada nesta terça-feira (14), com o representante estadunidense de Comércio, Jamieson Greer. O encontro aconteceu na véspera do prazo final para que a administração do presidente Donald Trump decida sobre a adoção das sobretaxas.

De acordo com uma nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), essa foi a quinta reunião entre autoridades dos dois países desde o dia 7 de maio. Naquela data, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho para promover o diálogo comercial.

O Mdic destacou que, em comunicado, o governo brasileiro reiterou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) são infundadas e não justificam a implementação de novas barreiras comerciais.

A crítica abrange tanto a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros quanto a tarifa adicional de 12,5%, que se relaciona a uma investigação sobre trabalho forçado, aplicável também a outras 59 economias.

“O governo brasileiro reiterou que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado”, afirmou a pasta.

Além do Mdic, a reunião contou com a participação de representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.

Segundo o governo, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é manter o diálogo com Washington e buscar uma solução negociada para evitar a adoção das tarifas.

Nos bastidores, interlocutores do governo avaliam que, apesar dos avanços nas negociações nos primeiros meses, a posição americana se tornou mais rígida nas últimas semanas.

As possíveis tarifas são resultado de uma investigação conduzida pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O governo americano acusa o Brasil de práticas que prejudicam os interesses comerciais dos EUA em diversas áreas, como comércio digital, sistema de pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões ambientais, incluindo o combate ao desmatamento ilegal.

Por sua vez, o governo brasileiro defende que nenhuma das alegações apresentadas justifica a imposição das medidas comerciais.

A decisão sobre as tarifas é esperada para esta quarta-feira (15), quando o governo dos Estados Unidos também deverá divulgar uma lista definitiva de produtos que poderão ser afetados pelas sobretaxas.

Entre os bens mencionados nas recomendações preliminares estão aeronaves, produtos agropecuários e insumos industriais. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos podem ser impactados se as tarifas forem confirmadas. Esses produtos representam aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras, incluindo itens como ferro-gusa, molduras de madeira e álcool etílico.

Enquanto aguarda a decisão americana, o governo brasileiro continua as negociações diplomáticas, afirmando que defenderá uma solução baseada no diálogo, sem descartar a possibilidade de adotar medidas de resposta caso as sobretaxas sejam efetivamente implementadas.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.