Bolsa bate 174 mil pontos e dólar cai com aposta em corte de juros

Robson Alves
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O Ibovespa fechou esta sexta no maior patamar desde junho, puxado por expectativas de queda na Selic. Menor liquidez com feriado nos EUA não impediu o avanço do mercado brasileiro.

No dia 3 de julho de 2026, a bolsa de valores brasileira, representada pelo Ibovespa, fechou acima dos 174 mil pontos, alcançando 174.070,27 pontos. Este é o maior fechamento desde o dia 2 de junho. O desempenho ocorreu em um dia em que os mercados norte-americanos estavam fechados devido ao feriado da Independência dos Estados Unidos, resultando em menor liquidez nas transações.

A alta de 0,74% no índice foi impulsionada por uma leitura mais fraca da produção industrial em maio, que caiu 0,2% em relação ao mês anterior, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este resultado inferior ao esperado reforçou as especulações de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central poderá reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, prevista para agosto.

O volume de negócios na B3 alcançou R$ 12,6 bilhões, valor que ficou abaixo da média diária, refletindo a ausência de negociações em Wall Street. O dólar comercial também apresentou queda de R$ 0,04, ou 0,76%, sendo cotado a R$ 5,168. Essa variação fez com que a moeda praticamente zerasse a alta acumulada na semana, que foi de apenas 0,03%.

O ambiente positivo para as moedas de países emergentes e a melhora do apetite por ativos brasileiros contribuíram para essa desvalorização do dólar. Além disso, a expectativa de um corte na Selic e os dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, divulgados um dia antes, diminuíram as apostas em uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve.

“O dado da produção industrial fortaleceu a percepção de desaceleração da atividade econômica”, comentou um analista de mercado.

Com a expectativa de queda nos juros futuros, as ações de empresas mais sensíveis ao custo do crédito se beneficiaram, refletindo a possibilidade de melhora nos resultados corporativos e a atratividade dos preços das ações. No acumulado do ano, o dólar apresenta uma queda de 5,83% em relação ao real.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, também mencionou a possibilidade de novas intervenções do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos, o que ajudou a reduzir os juros no mercado futuro e favoreceu a alta da bolsa de valores.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.