Neste domingo, 17 de agosto, os bolivianos votam para escolher o próximo presidente da República e renovar as 130 cadeiras da Câmara dos Deputados e 36 do Senado. Os dois principais nomes da direita lideram as pesquisas, mas 23% dos eleitores seguem sem candidato definido, o que mantém o resultado em aberto.
Disputa presidencial
O ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga (mandato interino entre 2001 e 2002) aparece na dianteira. Ele adota discurso de forte ajuste fiscal — chegou a prometer “motosserra, facão e tesoura” para cortar gastos —, defende o rompimento de relações com Venezuela, Cuba e Irã, mas pretende manter a Bolívia como parceira do Brics por causa dos laços comerciais com China e Índia. Quiroga também declarou apoio à libertação do ex-governador de Santa Cruz, Luis Fernando Camacho, preso pelos episódios que culminaram na renúncia de Evo Morales em 2019.
Na segunda colocação está o empresário Samuel Doria Medina, dono de negócios nos setores de cimento, hotelaria e alimentação. Ele promete equilibrar as contas públicas nos primeiros 100 dias de governo, atacando principalmente os subsídios aos combustíveis, que, segundo ele, consomem quase metade do déficit fiscal superior a 10% do PIB.
Esquerda dividida
O Movimento ao Socialismo (MAS), no poder desde 2006, chega fragmentado. Impedido de concorrer, o ex-presidente Evo Morales fez campanha pelo voto nulo. De um lado, o atual presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, tenta capitalizar o apoio de bases indígenas e camponesas, mas registra apenas 11% na sondagem mais recente da AtlasIntel. Do outro, o ex-ministro Eduardo del Castillo, apoiado pelo presidente Luis Arce, subiu para 8,1%, depois de oscilar em torno de 2% em levantamentos anteriores.
Para a cientista política Alina Ribeiro, doutoranda da USP, o alto índice de votos brancos, nulos e indecisos — somados às dificuldades de mensurar o voto rural — pode alterar o cenário. Ela lembra que, em 2020, as pesquisas subestimaram o apoio a Luis Arce.
Imagem: Reuters via agenciabrasil.ebc.com.br
Calendário eleitoral
Se nenhum candidato atingir 50% mais um dos votos válidos, ou 40% com dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado, haverá segundo turno em 19 de outubro. A Bolívia, com cerca de 12 milhões de habitantes e fronteiras com Acre, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, pode encerrar um ciclo de 19 anos de governos de esquerda, caso se confirme a vantagem da direita.
Com informações de Agência Brasil
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