Dezessete alertas de desmatamento ilegal derrubaram financiamentos em Sergipe nos últimos três anos. Os dados vieram à tona no Dia do Meio Ambiente e acendem alerta sobre irregularidades no campo sergipano.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu rejeitar R$ 3,23 milhões em pedidos de crédito rural em Sergipe nos últimos três anos. Essa recusa ocorreu devido a indícios de desmatamento ilegal nas propriedades que solicitaram o financiamento. O montante representa 1,9% de todo o crédito solicitado no estado entre fevereiro de 2023 e abril de 2026.
Os dados foram divulgados na última sexta-feira, 5 de junho, em comemoração ao Dia do Meio Ambiente. Durante o período analisado, foram identificados 17 alertas de possível desmatamento ilegal em Sergipe, correspondendo a 2,1% das solicitações de crédito rural que foram encaminhadas ao BNDES.
A monitorização das propriedades é realizada em parceria com o MapBiomas e tem como principal objetivo evitar que recursos públicos sejam repassados a produtores que não cumprem a legislação ambiental vigente. De acordo com as normas do banco, financiamentos são negados a propriedades que apresentam indícios de desmatamento irregular.
No cenário nacional, o BNDES bloqueou R$ 1,1 bilhão em financiamentos rurais no mesmo período. Foram registrados 5.592 alertas de desmatamento ilegal, que correspondem a cerca de 1% das 551,7 mil solicitações de crédito rural feitas em todo o país desde 2023.
O banco destaca que o valor de crédito evitado representa, em média, quase R$ 1 milhão por dia em operações que não foram contratadas devido a irregularidades ambientais.
“O BNDES é um grande parceiro do agronegócio e valoriza a produção sustentável e ética no campo brasileiro, mas não é complacente com o agronegócio que destrói o meio ambiente. O Banco apoia os produtores que são sustentáveis e inovadores. A tecnologia e uma governança rígida nos permitem atuar com agilidade e precisão na análise do crédito e atender a urgente agenda de enfrentamento das mudanças climáticas. O tempo do crédito para o agro que desmata já passou”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Entre as regiões do Brasil, Norte e Nordeste foram as que apresentaram os maiores percentuais de financiamentos barrados, ambos com 1,7% do volume solicitado. O Nordeste também lidera em proporção de alertas de desmatamento, com 3% das mais de 13,6 mil solicitações analisadas.
Já a região Sudeste apresentou os melhores resultados, com apenas 0,5% dos R$ 23 bilhões solicitados tendo sido bloqueados e apenas 0,4% de alertas. No Centro-Oeste, o índice de crédito barrado foi de 0,7%, enquanto o Sul teve 0,8% de operações evitadas.
As regras do BNDES estabelecem que financiamentos não podem ser concedidos a imóveis que apresentem desmatamento sem autorização ambiental ou que não comprovem regularização, como a apresentação de um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) ou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Além disso, o banco também nega crédito a produtores que possuem embargos ambientais ativos, mesmo que em outras propriedades.
Os financiamentos são disponibilizados por meio de mais de 80 instituições financeiras credenciadas, que cobrem cerca de 90% do território nacional.
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